Publicado em 2/2/2017 12:07:12 PM

Famílias reassentadas se adaptam às regras da vida em condomínio

Moradores do residencial Teresa Elvira, no Parolin, estão sendo acompanhados pelo serviço social da Cohab

A convivência social em condomínio e a participação em ações coletivas são novidade para pessoas que há pouco tempo viviam em situação de risco e insalubridade em uma ocupação irregular na Vila Parolin. São 80 famílias que se mudaram para o residencial Teresa Elvira, entregue pela Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab) em dezembro. Em um curto prazo, elas têm conseguido se organizar, criar representatividade entre o grupo, exercer direitos e cumprir deveres.

A eleição para síndico do condomínio, por exemplo, foi feita semanas antes da mudança e marcou a estreia do grupo em decisões coletivas. Aconteceu durante a primeira assembleia coletiva e foi fruto de grandes discussões e organização dos moradores. O escolhido para a função foi Cacildo César Gouveia, de 48 anos que, pela primeira vez, reside em um apartamento.

“O maior desafio é o grupo entender que a gente precisa tomar decisões que sejam boas para todos e não só para uma pessoa”, diz Cacildo. “Fiquei feliz em ter sido eleito, depois senti receio de não conseguir dar conta, mas agora encontrei apoio entre os moradores e na equipe da Cohab.”

Com o síndico, foram eleitos representantes para cada um dos cinco blocos que formam o empreendimento. A escolha democrática, com ampla participação dos moradores, é um exemplo de como o grupo tem conseguido se organizar. “Todos querem participar, dar sugestões e contribuir para termos harmonia e progredirmos juntos”, diz Cacildo.

As oportunidades alcançadas a partir da vida no condomínio englobam a inclusão nos serviços públicos, o incentivo à qualificação profissional que possibilite melhoraria na renda e a criação de uma rede colaborativa entre os vizinhos. “Esse é o sentido de retirarmos as pessoas da degradação e incluí-las na em uma cidade formal. Promovermos cidadania a partir do lar seguro, da recuperação da identidade e da construção de novos futuros para as famílias e para a nossa cidade”, diz o prefeito Rafael Greca.

A equipe do serviço social da Cohab, responsável pelo acompanhamento das famílias antes e depois dos reassentamentos, auxilia e orienta o síndico Cacildo sobre como manter a boa convivência entre moradores. “O trabalho é feito com todos os síndicos de condomínios construídos como parte das estratégias do programa de urbanização e regularização fundiária do município”, explica o presidente da Cohab, José Lupion Neto.

As famílias são orientadas pela equipe de assistentes sociais e profissionais da Cohab e contam com o apoio multidisciplinar das demais secretarias e órgãos do município, quanto à adaptação às novas condições de vida, a boa convivência e o planejamento do orçamento doméstico, pois terão novas contas mensais a quitar.

Estrutura do condomínio

Cinco blocos de quatro andares com apartamentos de 44 metros quadrados formam o residencial Teresa Elvira, que também tem área comum, com parquinho infantil, salão de festas e estacionamento. Conviver nestes espaços exigiu a definição de regras, o estabelecimento de direitos e deveres dos moradores que aprovaram, em janeiro, o Regimento Interno do Condomínio. Entre medidas já discutidas estão a automação do portão, colocação de grades nas janelas e antena coletiva, além das regras para utilização do estacionamento.

“O processo de construção para esta autonomia das famílias começa antes mesmo das moradias serem entregues, com a preparação para a vida em condomínio, a partir de atividades que são desenvolvidas com o grupo de moradores. Isso ocorre não só coletivamente mas também de forma individual. A equipe de trabalho social deve acompanhar os moradores pelo menos um ano após a mudança”, explica a coordenadora do projeto social no Parolin, Elaine Haddad.

Transferidas de uma área à beira do Rio Vila Guaíra para o residencial construído na Rua Lamenha Lins, ao fundo do Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Guilherme Canto Darin e da Escola Municipal Professora Nansyr Cecato Cavachiolo, as famílias têm renda mensal inferior a R$ 1.600,00. Boa parte se dedica ao trabalho com reciclagem de materiais ou estão no mercado informal de trabalho.

Para a maioria, a mudança significou mais que conforto, foi também acesso a novas oportunidades, como é o caso da vendedora ambulante, Dayane Marília Felizardo, de 32 anos, que mudou para o condomínio com as filhas Eduarda, de 12 anos, e Vitória, 9, e o companheiro Douglas Leitão, de 36 anos, com quem trabalha vendendo cachorro quente. “Não dependo mais do favor de ninguém para ter um lar, estou livre do aluguel que me impedia de investir e ampliar o meu negócio. Agora posso planejar um futuro melhor para as minhas filhas”, diz Dayane.

Os R$ 646,00 que gastavam com aluguel é quase o triplo do que o casal precisará para pagar a taxa de condomínio, prestação do imóvel, serviços de água e luz. A economia gerada já tem destino. “Vou arrumar peça por peça da casa, deixar tudo com a minha cara, como sempre sonhei. Depois que estiver tudo arrumado, vamos comprar um carro para passear com as meninas”, planeja Dayane.

Morar em apartamentos é novidade para muitas destas famílias, que estão  aprendendo a viver com a oferta de serviços regularizados, como a rede de água e luz, e a manter a boa convivência com os vizinhos e seus diferentes hábitos e culturas. “Entender as regras é o primeiro passo para respeitá-las e é isso que nós ajudamos a fazer. O bem de um morador é também o da coletividade, diz Rosana Oliniki, primeira-secretária do condomínio e uma das representantes de bloco.

Rosana trocou a moradia precária por um dos apartamentos onde planeja criar os quatro filhos. Orientar os vizinhos sobre os cuidados com as crianças no parquinho, no estacionamento e mediar pequenos conflitos são parte das atribuições que tem como representante de bloco. “Também ficamos atentos ao que precisa ser feito de reparo e conversando achamos as soluções”, diz a moradora.

O residencial Teresa Elvira, antigo residencial Esperança, é uma complementação ao projeto de urbanização da Vila Parolin com investimento de R$ 6,4 milhões, com recursos da Prefeitura de Curitiba, Cohapar e do programa Minha Casa, Minha Vida.

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