Publicado em 3/30/2017 4:28:32 PM

Pesquisa avalia satisfação de famílias reassentadas por projetos da Cohab

A pesquisa com as famílias é a última etapa dos projetos de trabalho social e urbanização de ocupações irregulares promovidos com recursos de programas federais como PAC, Pró-Moradia e Minha Casa Minha Vida.

Avaliar a transformação vivida por famílias incluídas em projetos sociais, transferidas de áreas de risco, em ocupações irregulares da cidade para empreendimentos residenciais com infraestrutura e acesso a serviços públicos. Esse é o objetivo da Pesquisa de Satisfação Pós-Intervenção que está sendo aplicada por técnicos da Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab) para medir o grau de satisfação entre famílias reassentadas e a adaptação à nova vida. Os dados vão subsidiar futuras intervenções.

A pesquisa com as famílias é a última etapa dos projetos de trabalho social e   urbanização de ocupações irregulares promovidos com recursos de programas federais como PAC, Pró-Moradia e Minha Casa Minha Vida. A construção de novas moradias e a retirada de famílias de áreas de risco são apenas parte das ações desenvolvidas pela Cohab nos projetos.

Um amplo trabalho de intervenção ambiental nas áreas, o trabalho social para inserir as famílias em uma nova forma de vida, além do incentivo ao desenvolvimento econômico e cultural são realizados para complementar os investimentos feitos com infraestrutura. A opinião dos moradores é levantada após a Cohab ter atuado na área com o trabalho social durante todo o projeto, que inclui, entre outras ações, a identificação das famílias, acompanhamento durante a realização das obras, preparação e apoio para a  mudança e acompanhamento nos seis primeiros meses após a família receber a nova moradia.

Três eixos são pesquisados: Moradia e Inserção Urbana, desenvolvida internamente pelos técnicos da Cohab para aferir dados de infraestrutura e qualidade da habitação; Inclusão Social, com a participação de outras secretarias e órgão municipais para verificar os acessos das famílias aos serviços públicos e constatar se houve melhoria na qualidade de vida. O outro eixo é a Satisfação do Morador, onde as pessoas emitem opiniões sobre todo processo vivenciado.

Ouvir os moradores para recolher dados quantitativos e qualitativos dos empreendimentos habitacionais é uma exigência da Caixa Econômica Federal – agente financeiras dos projetos – a partir de normativas do Ministério das Cidades.

“Essa é uma importante estratégia para avaliarmos quais resultados o projeto  trouxe para dentro do território, quais inclusões aos serviços e equipamentos públicos foram possíveis, avanços realizados nas relações entre vizinhos, na gestão condominial e na melhoria das condições de renda a partir da organização do planejamento e orçamento familiar”, explica o presidente da Cohab, José Lupion Neto.

As pesquisas são realizadas por amostragem, de acordo com o número de famílias que integram cada empreendimento. Precisam ser ouvidas as opiniões de no mínimo 20% dos moradores de todos os conjuntos com mais de 200 famílias atendidas, 50% das famílias nos empreendimentos de 100 a 200 unidades e 100% das famílias atendidas em conjuntos com menos de 100 unidades. Depois de tabuladas, as respostas dão origem a um relatório que é encaminhado à Caixa.
 
Porta em porta
Atualmente estão em andamento pesquisas abrangendo famílias atendidas nos projetos Xisto Padilha e Vila Autódromo. A opinião dos moradores é consultada pela equipe do departamento de Serviço Social da Cohab em questionários aplicados de porta em porta. Na semana passada, os questionários começaram a ser aplicados no Moradias Boa Esperança II, empreendimento com 213 unidades habitacionais (são 7 casas térreas e 206 sobrados), construído no Tatuquara, para abrigar moradores de sete ocupações irregulares espalhadas pela cidade.

A nova comunidade reuniu em um mesmo território famílias reassentadas das vilas Xisto, Esmeralda, Mariana, Rex, 23 de Agosto, Terra Santa, Jandaia, Gramados, Formosa e Ulisses Guimarães. “São pessoas de diferentes áreas trazidas para uma nova condição de vida, razão pela qual precisamos ouvi-las e buscar dados positivos e negativos da intervenção. São informações importantes para avaliarmos se o impacto produzido foi aquele esperado, que previa melhorar as condições ambientais, os hábitos de vida em comunidade e o exercício pleno da cidadania”, explica o diretor de Relações Comunitárias da Cohab, Rafael Enes.

Equipamentos públicos

Nas proximidades do Moradias Boa Esperança I existem equipamentos públicos como escola, creche e unidade de saúde. Ao participar da pesquisa os moradores comparam a forma como viviam antes, em condição de risco e insalubridade, à situação atual, a partir das novas moradias, em outro contexto social.

São questionados dados referentes ao acesso das famílias às redes elétricas, de abastecimento de água, esgoto, iluminação pública e pavimentação de ruas. Também são verificados a inclusão em atendimentos nas áreas de saúde, educação, transporte público e segurança. O levantamento de áreas de lazer para o convívio das famílias e a qualidade das relações entre os vizinhos depois do reassentamento constam na pesquisa.

A dona de casa, Maria Nazaré dos Santos, de 60 anos, foi uma das selecionadas para a pesquisa no Moradias Boa Esperança I. Há cinco anos, ela mudou com o pai, de 90 anos, para uma das casas térreas do empreendimento. “Faço a comparação de que saí do inferno para viver no paraíso”, diz Maria Nazaré, ao enumerar uma lista de benefícios conquistados junto com a nova moradia. “Louvo a Deus pela minha casa que é maravilhosa, tem o espaço que preciso para cuidar da saúde do meu pai, é perto do comércio, da escola, do Armazém da Família e das linhas de ônibus que usamos”, conta a moradora.

A satisfação de Maria Nazaré com a mudança é completa uma vez que, além dela e o pai, os filhos também foram reassentados com suas famílias para sobrados no mesmo conjunto. “Continuamos vivendo todos próximos como era antes, mas com a diferença de que agora temos morada digna e qualidade de vida. Os dias difíceis ficaram para trás”, avalia Nazaré.

Deixar de viver à beira do rio, na Vila São Pedro também mudou para melhor a realidade da família da dona de casa Nelci de Oliveira Alencar Dias, de 49 anos. Os dias vividos dentro de uma pequena e precária moradia, erguida em cima de uma valeta, suscetível a alagamentos, servem para que ela valorize os benefícios trazidos com o novo sobrado. “O modo de viver da gente mudou. Agora dormimos e acordamos sem a preocupação de ter a casa destruída pela chuva”, conta Nelci.

Vantagens
Outras vantagens destacadas por ela são as ruas pavimentadas que facilitam o trajeto até a escola da filha e a rede de serviços sociais aos quais a família tem acesso. A Rua da Cidadania a algumas quadras completa os benefícios garantidos com o reassentamento. Com infraestrutura e segurança a família fez planejamento e já realizou  melhorias na moradia. “Aqui é outra vida, tudo é muito melhor”, complementa.

Nos próximos dias serão realizadas pesquisas entre os moradores com famílias reassentadas no Moradias Cerâmica, localizado na rua João Goulart, em frente a nova Rua da Cidadania do Tatuquara e próximo ao Moradias Boa Esperança. O empreendimento tem 194 casas e sobrados que abrigam moradores oriundos de 11 diferentes áreas irregulares: Vilas Rex, Xisto, Esmeralda, Bela Vista da Ordem, Beira Rio, Parolin e Prado. Nas áreas de origem, os moradores reassentados viviam em condição de risco e insalubridade. A maioria saiu de beira de rios.

No ano passado, as equipes da Cohab concluíram relatórios de projetos executados nas Bacia do Rio Belém, Vila Terra Santa e Vila Torres. Estão em processo de elaboração dos relatórios finais as pesquisas que foram aplicadas nas áreas do Bolsão Audi União, da Bacia do Rio Iguaçu,  Arroio Boa Vista, Bolsão Tatuquara, Menino Jesus e Pantanal.

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