Publicado em 5/2/2017 10:50:39 AM

Voluntário transforma em jardim calçada usada como depósito de lixo

O jardim tem 40 metros de extensão e foi construído na calçada lateral do Residencial Novo Bairro 4, um condomínio de 112 apartamentos em frente ao conjunto de 35 sobrados do Moradias Bairro Novo I

Um trecho da rua Ary Taborda, no Ganchinho, poderia ser apenas o que delimita os conjuntos habitacionais Novo Bairro I e Novo Bairro IV – construídos pela Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab), no extremo sul da cidade – não fosse a ação de um jardineiro voluntário. Jocélio Padilha, de 42 anos, transformou em jardim florido e colorido um espaço que antes era usado como depósito de lixo e entulhos. Flores e arbustos deram nova vida ao local agora considerado cartão-postal da rua e espaço de convivência dos vizinhos.

O jardim tem 40 metros de extensão e foi construído na calçada lateral do Residencial Novo Bairro 4, um condomínio de 112 apartamentos em frente ao conjunto de 35 sobrados do Moradias Bairro Novo I. As espécies escolhidas por Jocélio foram sálvias vermelhas, tajetões amarelos, liríopes, vincas e buxinhos. Porém, a intenção do jardineiro é variar as flores, garantindo a beleza do espaço em todas as estações do ano.

Jocélio mora com a mulher e o filho em um dos sobrados do conjunto Novo Bairro I e construiu o jardim para comemorar a mudança de vida a partir da moradia. A família vivia em uma casa muito precária, em área de ocupação irregular, às margens do Ribeirão dos Padilhas e, em 2011, foi reassentada para o empreendimento que faz parte de um complexo habitacional no Ganchino, na Regional Bairro Novo.

A mudança para a casa própria, conta Jocélio, trouxe perspectivas de um recomeço com mais dignidade, dentro da formalidade, em um bairro consolidado, com infraestrutura e a oferta de serviços que garantem melhor qualidade de vida para a família. “Na beira do rio não tinha como planejar o futuro, não dava para investir no que não era nosso. Agora é diferente, somos os donos, temos orgulho de melhorar uma coisa que é da gente”, diz o jardineiro.

Funcionário de uma empresa de paisagismo, Jocélio planejava com a mulher, Elizia Belchior, de 43 anos, o dia em que seria possível cultivarem seu próprio jardinete. Duas razões motivaram a criação do jardim na rua, no espaço público. A transformação no modo de viver, com segurança e conforto e a gratidão aos vizinhos que permitiram que ele ocupasse como canteiro de obras o espaço agora transformado em jardim.

Nas horas de folga, ele e a família trabalharam para ampliar a cozinha, construir mais um quarto e valorizar a fachada da residência. Os materiais e as ferramentas usados na reforma ficavam guardados na calçada, agora transformada em jardim. “Eu me comprometi com a turma que depois que acabasse de melhorar o meu sobrado deixaria o espaço limpo e bem cuidado. O jardim é um presente para os vizinhos, mas também é um convite para as pessoas ajudarem a cuidar desse lugar que é nosso e que pode ficar cada vez melhor se todos fizerem sua parte”, diz Jocélio.

A construção do jardim levou cinco meses e também foi feita nos intervalos do serviço. Logo que enfiou as mãos na terra, o jardineiro provocou a motivação de parte dos vizinhos que quiseram colaborar. Alguns contribuíram com dinheiro para aumentar o número flores plantadas ou para comprar acessórios usados no paisagismo. Outros preferiram ajudar no plantio e aproveitaram para aprender sobre jardinagem com o vizinho experiente.

A enfermeira Magali Della Grustina foi uma das colaboradoras. Investiu financeiramente e acompanhou de perto todas as etapas, da limpeza do terreno ao plantio das mudas. “O jardim valorizou a nossa rua e todo muito ficou com orgulho de morar aqui”, disse Magali. O filho Jean, de 13 anos, ajudou orientando as crianças da redondeza a protegerem as flores. “No começo a turma vinha arrancar, corriam por cima e quebravam os galhos, mas agora estão vendo que se cuidarem fica bonito para todo mundo”, conta, com orgulho, o adolescente.

Oficinas de jardinagem

Esta não foi a primeira vez que os moradores da região se uniram para preservar a área. Famílias do Moradias Novo Bairro IV já haviam se mobilizado no plantio de mudas doadas pelo horto municipal no interior do condomínio. Outros grupos participaram de pequenas oficinas de jardinagem desenvolvidas pela técnica ambiental, Iracema Bernardes Pereira, da equipe do serviço social da Cohab.

As ações ambientais são desenvolvidas pelos técnicos da Cohab com as famílias antes, durante e depois das mudanças para os empreendimentos construídos no programa habitacional do município. “Buscamos elevar os cidadãos a um novo patamar de vida, provocando transformações positivas no relacionamento entre as pessoas e o meio ambiente a partir da moradia e das oportunidades trazidas por ela”, diz o prefeito Rafael Greca.

Os residenciais Novo Bairro I, II, III e IV fazem parte de um grande complexo com 2.796 moradias que foram construídas no Ganchinho, por meio do programa habitacional do município, iniciado em 2010. Os empreendimentos foram executados com recursos do programa Minha Casa, Minha Vida para atender famílias das faixas 1 (renda de até R$ 1.600) e faixa 2 (renda entre R$ 1.601 e R$ 3.275). Na faixa 1, as unidades beneficiaram moradores de áreas de risco e também candidatos inscritos no cadastro de candidatos à casa própria, mais conhecido como “fila da Cohab”.

Os empreendimentos ocuparam uma área de 257,5 mil metros quadrados ao lado do Bairro Novo, entre a Rua Eduardo Pinto da Rocha e o Contorno Leste. Até 2010, parte do local estava ocupada com lavoura de soja, e hoje, abriga os prédios de apartamentos e conjuntos de casas e sobrados. Além das moradias houve investimento na infraestrutura local, com obras como a pavimentação de ruas e construção de equipamentos sociais.

Oriundas de dez áreas de ocupações irregulares da cidade, muitas famílias transferidas para o complexo habitacional já conseguiram se organizar e realizar melhorias nas moradias, seja com a ampliação de espaços, construção de muros e jardins. “A construção de uma identidade local a partir do encontro de diferentes grupos é uma das importantes tarefas desenvolvidas pela Cohab”, ressalta o presidente da companhia, José Lupion Neto.

É comum que os empreendimentos reúnam na mesma área famílias de diferentes regiões e costumes. Por isso, as atividades voltadas à preservação e recuperação ambiental promovidas pela Cohab servem também como momentos de integração das famílias. “Trabalhamos para estimular e provocar as mudanças de comportamento, por isso é tão compensador encontrarmos ações voluntárias como o jardim do Jocélio. São demonstrações de que o nosso trabalho tem rendido bons frutos”, diz a técnica ambiental Iracema Bernardes Pereira.

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