Publicado em 6/6/2017 3:13:01 PM

Greca entrega chaves da casa própria para dona Geni e mais 36 famílias na CIC

37 famílias contempladas com novas casas térreas e sobrados entregues pela Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab), no Moradias Arapoti, no bairro CIC.

Chuvas fortes como a desta madrugada não preocuparão mais a aposentada Geni Lourdes Portela, de 68 anos, que passou as duas últimas décadas lutando conta enchentes que atingiam a casa erguida à margem do rio Barigui, na Vila Rigone, uma área de ocupação irregular no bairro Fazendinha. Ela pertence ao grupo de 37 famílias contempladas com novas casas térreas e sobrados entregues pela Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab), no Moradias Arapoti, no bairro CIC. As chaves dos novos lares foram entregues pelo prefeito Rafael Greca nesta terça-feira (6/6), em clima de comemoração.

“Toda vez que famílias deixam áreas de risco e passam a viver longe dos rios, em locais secos, a cidade melhora”, disse Greca. Acompanhado pelo vice-prefeito, secretário de Obras Públicas e presidente do Fundo Municipal de Habitação de Interesse Social (FMHIS), Eduardo Pimentel, o prefeito falou sobre medidas que determinou para garantir avanços na política de habitação popular do município.

Até o fim deste ano, explicou o prefeito, aproximadamente 500 novas moradias serão entregues em diferentes áreas da cidade e 3.600 famílias serão contempladas com títulos de propriedade de imóveis. “E importantes obras para urbanização de áreas e construção de novas unidades habitacionais serão executadas, algumas, como o Moradias Maringá I, já estão acontecendo”, disse Greca.

A obtenção da Certidão de Tributos Federais, cuja pendência deixada pela antiga gestão estava impedindo a Cohab de funcionar, também foi destacada pelo prefeito como importante ação já realizada nos primeiros meses da sua administração. “Vamos tirar as pessoas das áreas de risco e colocá-las para viver em casas bem construídas porque gente não é sapo e criança não é peixe para viver em cima de rio”, afirmou Greca.

Arapoti

O prefeito foi recebido com festa pelas famílias que há mais de dois anos aguardavam pela entrega do empreendimento. O Moradias Arapoti foi construído na CIC para atender com casas térreas e sobrados de alvenaria 37 famílias que viviam em áreas de risco na bacia do Rio Barigui nas vilas Nossa Senhora da Paz, Bom Menino, Morro da Esperança, Recanto da Paz e Rigone.

O recurso de R$ 1,7 milhão é oriundo do programa Minha Casa Minha Vida, do governo federal. Já o terreno onde foi construído o conjunto foi adquirido com recursos próprios da Cohab, no valor de R$ 1,9 milhão. Duas casas são adaptadas e foram construídas com rampas de acesso, portas mais largas, barras de sustentação nos banheiros e pia sem coluna. São medidas que vão garantir maior autonomia aos moradores com dificuldades de locomoção.

O empreendimento começou a ser construído em 2014, mas sofreu interrupções em 2015 e novamente em 2016, depois que as construtoras responsáveis paralisaram os serviços. “O bom relacionamento desta administração com o Ministério das Cidades, a Caixa Econômica Federal e a nova empresa que assumiu a obra permitiu que fizéssemos a entrega das moradias às famílias e cumpríssemos nossa missão, que é a de garantir cidadania a partir da moradia digna, o resgate das pessoas de áreas de risco com oferta de casas bem construídas e a recuperação das áreas”, disse o presidente da Cohab, José Lupion Neto.

Primavera constante

Geni Lourdes Portela foi a primeira a receber as chaves das mãos do prefeito, que contou o significado da palavra Arapoti. Na língua dos índios Guarani quer dizer primavera constante. A aposentada festejou o que ela considera ser o começo de dias sempre floridos em sua vida. “Cansei de perder os móveis e o pouco que tinha dentro de casa. A vida na beira do rio não é fácil, mas era a única condição que eu tive para criar os filhos. Agora é só alegria e o desejo de dias sempre melhores”, contou Geni.

Quem também festejou a entrega do novo lar foi o vendedor ambulante Adilson Vicente, de 38 anos, que nasceu e foi criado na Vila Nossa Senhora da Paz, área de ocupação irregular no Santa Quitéria. A pequena casa onde vivia com a esposa Andreia e os filhos Thiago, de 18 anos, e Beatriz, de 3 anos, estava com a estrutura comprometida, foi erguida à beira do rio Barigui, exposta aos riscos de desabamento, inundação e a invasão constante de insetos e animais.

Não foram poucas as vezes que a família se assustou ao encontrar cobras e ratazanas na porta da casa. O mau cheiro era outro problema que causava transtorno nos dias de muito calor. “Esperamos há muito tempo por essa mudança e acreditamos que no novo sobrado será muito melhor para criar os filhos. Na antiga casa não podíamos nem receber uma visita porque tínhamos vergonha do lugar onde vivíamos”, lembrou Adilson.

O casal já tem planos para fazer melhorias na nova morada. Aguardaram para estrear na nova casa os móveis comprados para a sala e os quartos. “Nunca pudemos investir em melhoras na casa antiga pois tinha o risco de perder tudo. Agora será diferente, teremos segurança e conforto”, disse Adilson. A menina Beatriz também faz planos de ter onde brincar e guardar os brinquedos. “Quero um canto bem bonito”, contou ela.

A parte de cima do antigo sobrado de Adilson é onde vivia a aposentada Julieta da Cruz Hancz, de 64 anos, também contemplada com uma nova moradia. Ela tem pressa para deixar para trás os 15 anos vividos à beira do rio. As condições de moradias que já não eram adequadas ficaram ainda piores depois que iniciou uma batalha contra um câncer de mama.

O tratamento com quimioterapia a deixou fraca, com dificuldade para subir as escadas que são o único acesso à moradia. A cirurgia para a retirada do tumor já foi marcada e a aposentada acredita que terá boa recuperação, na nova casa. “Será vida nova de verdade, com saúde e conforto. Tenho fé que vamos ser muito felizes na nova casa”, disse Julieta, que dividirá uma das casas térreas do empreendimento com a filha e a neta de oito meses.

Vizinhança

Cláudio Gabriel, de 51 anos, é outro vizinho que também está sendo reassentado para uma das casas térreas do Moradias Arapoti. Dividirá o espaço com a mulher e os três filhos e será vizinho de Julieta e do irmão Adilson. “É bom que a gente vai continuar vivendo todos próximos, mas agora com conforto e segurança”, contou Cláudio. Como já está aposentado, Cláudio faz planos para dedicar o tempo para melhorar a nova casa. “E deixar tudo bonito para reunir a família”, completou. O filho Washington, de 21 anos, também está ansioso pela mudança. “Não vejo a hora de estar na casa nova.”

As antigas casas serão demolidas pela Cohab para evitar novas ocupações e possibilitar obras de urbanização e recuperação ambiental, especialmente das margens do rio. A equipe do serviço social da Cohab faz o acompanhamento das famílias, desde o momento do cadastramento, realizado há anos, até os preparativos para a mudança. Os técnicos prestam apoio durante a mudança e também realizam o trabalho de pós-ocupação, com objetivo de facilitar o processo de adaptação à nova realidade em que as famílias serão inseridas.

Participaram da cerimônia de entrega das novas moradias a gerente regional da Caixa Econômica Federal, Camila Aichiger, e o diretor da empresa Cittá, Gustavo Zenker, além de representantes da administração regional do Portão, funcionários da Cohab e representantes de associações de moradores locais.

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