Natal na casa nova da Cohab para famílias que deixaram a beira do rio

    Até o ano passado, a dona de casa Dirce Barbosa de Bonfim não tinha pinheirinho de Natal. Neste ano, ela resolveu enfeitar a casa para as festas de fim de ano e convocou as três netas, para ajudar na arrumação.

     

      

    Até o ano passado, a dona de casa Dirce Barbosa de Bonfim não tinha pinheirinho de Natal. Neste ano, ela resolveu enfeitar a casa para as festas de fim de ano e convocou as três netas Emily, Dheimilly e Eyshila, para ajudar na arrumação. Agora, a árvore de Natal ocupa um lugar de destaque na sala da família, que mora numa das unidades do conjunto Moradias Jandaia, construído pela Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab) no bairro do Ganchinho. "Além do Natal, comemoramos também a casa nova, um sonho", afirma Dirce.

    Até junho último, ela morava com a família, marido, um filho, uma nora e cinco netos, na Vila 23 de Agosto, uma ocupação irregular situada no mesmo Ganchinho. A casa dos Bonfim ficava num dos pontos mais críticos da área, ao lado do ribeirão dos Padilha. A cada chuva, a cena se repetia: a água entrava, invadia tudo e provocava prejuízos. "Não tinha vontade de ter um pinheirinho. Seria mais uma coisa para carregar, se chovesse", diz.

    Instalada no Moradias Jandaia, em segurança e com tranqüilidade conquistada após muito sofrimento, Dirce faz planos para comemorar o Natal. "Pela primeira vez, vou poder receber os parentes na minha casa. Estou realizando um grande sonho. Ter uma moradia decente era o que eu mais queria."

    Depois da mudança, há seis meses, a família fez algumas melhorias no imóvel, entregue com três quartos. O marido murou o terreno de esquina e aumentou a cozinha. E os planos não param por aí: no ano que vem, eles pretendem continuar a ampliação da casa. "Agora, eu tenho o sossego que não tinha morando ao lado do rio", fala Dirce.

    Como ela, outras 968 famílias que foram reassentadas pela Cohab neste ano terão motivo para comemorar o Natal. Os reassentamentos fazem parte do um amplo projeto de urbanização que a Prefeitura está desenvolvendo em 43 áreas de ocupação irregular da cidade, beneficiando 10,8 mil famílias. "Garantimos conforto e dignidade para estas famílias e recuperamos as áreas dos rios que estavam sendo deterioradas", diz o prefeito Beto Richa.

    Destas famílias, 6.090 moram na margem de rios e serão transferidas para casas e sobrados de alvenaria que estão sendo construídos em 29 novos loteamentos. Os empreendimentos, em 16 diferentes bairros, somam uma área de 1,3 milhão de metros quadrados, ou o equivalente à extensão do bairro São Francisco, um dos mais antigos da cidade. Os investimentos nas obras somam R$ 276,8 milhões, com recursos da Prefeitura (contrapartida e financiamentos assumidos pelo município), do governo federal e de organismos internacionais (Fonplata).

    Os projetos em andamento incluem trabalho social com as comunidades atendidas e têm também um componente ambiental. Após a saída das casas da margem dos rios, haverá recuperação das faixas de preservação permanente ao longo dos cursos de água. No total, 32 quilômetros de margens de rios serão recuperados com a recomposição da vegetação. Para evitar uma nova ocupação indevida, serão criados espaços de lazer e canchas de esportes junto às faixas de preservação.

    Equipamentos: Os reassentamentos, iniciados no ano passado, estão ocorrendo de forma gradativa, à medida que as construções são concluídas. O Moradias Jandaia é uma das áreas criadas para abrigar moradores reassentados. Com 403 unidades, ele está recebendo famílias das Vilas 23 de Agosto, Campo Cerrado, Osternak, Nova e do bolsão Ulisses Guimarães.

    Localizado numa área plana, nos fundos do Bairro Novo e próximo à rua Eduardo Pinto da Rocha, oferece às famílias uma condição muito diferente daquela que elas tinham na ocupação. Nas proximidades, há equipamentos como escola, creche, CRAS (Centro de Referência da Assistência Social), unidade saúde e, em breve, terá um Armazém da Família (em início de obras) e mais uma creche.

    Por isso, os moradores que chegaram neste ano ao Jandaia estão comemorando. Um exemplo é a família de Elio e Alexandra de Oliveira. Com quatro filhos, eles estão desde setembro no loteamento. Deixaram para trás uma casa que havia sido construída em cima de uma valeta, na área conhecida como Vila Nova, no Boqueirão.

    Ali, conviveram com ameaça freqüente de enchentes, o mau cheiro permanente e a presença de insetos e roedores. E, se não bastassem estes problemas, tinham ainda a insegurança de morar num lugar de onde temiam ser despejados a qualquer momento.

    Neste ano, na casa nova, Elio e Alexandra animaram-se nos preparativos para as festas natalinas. Além do pinheirinho que ela sempre fez questão de enfeitar, compraram luzes para a fachada da casa. "Será um Natal diferente e muito feliz", disse Alexandra.

    Em outro imóvel, dona Natália dos Santos Cavalheiro, que mora com o filho, um neto e dois bisnetos, também está esperançosa. "Foram dez anos de sofrimento, mas agora tudo acabou. Parece que estou no céu", diz ela. No dia 25, além da casa nova, dona Natália tem outro motivo para festejar. Ela completa 73 anos e pela primeira vez em muitos anos terá um Natal e um aniversário decente.

     Os números do programa de urbanização e reassentamento da Prefeitura:

     

    10,8 mil famílias atendidas

    6.090 famílias reassentadas

    R$ 276,8 milhões de investimento

    29 novos loteamentos para reassentamento, em 16 diferentes bairros

    1,3 milhão de metros quadrados de área para loteamentos

     

                 32 quilômetros de margem de rios serão recuperados com a saída das famílias

     

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