Publicado em 6/18/2010 12:26:54 PM

Cohab entrega casas para famílias com renda de 1 salário

As 56 moradias entregues fazem parte do Moradias Monteiro Lobato, no Tatuaquara, empreendimento com total de 117 residências

A Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab) iniciou nesta quinta-feira (17) a entrega de 56 casas no conjunto Moradias Monteiro Lobato, no Tatuquara.  A entrega beneficia famílias com renda de um salário mínimo que estavam cadastradas na Cohab. A maior parte dos beneficiários é composta por mulheres chefes de domicílio.

As 56 unidades fazem parte de um empreendimento maior, com 117 casas, construído para atender o segmento mais carente da clientela do programa habitacional do município. Para a construção das unidades, em área pertencente à Cohab, foram destinados R$ 1,6 milhão - recursos da Prefeitura e do governo federal, liberados por meio da Caixa Econômica Federal.

"A entrega destas casas demonstra a prioridade dada ao atendimento dos mais carentes e também evidencia a preocupação da Prefeitura com a situação de vulnerabilidade social das mulheres que são as únicas provedoras de suas famílias", diz o prefeito Luciano Ducci.

As unidades estão sendo entregues de forma gradativa. Equipes da Cohab, com assistentes sociais, engenheiros e técnicos do setor de comercialização estão orientando as famílias na vistoria das casas.

Depois, elas recebem o contrato e as chaves e, em seguida, podem providenciar as mudanças. Para as mulheres chefes de domicílio, a Cohab vai oferecer auxílio de transporte para a operação de transferência para a nova moradia.

Para ingressar nas unidades, as famílias assinaram com a Cohab um contrato de concessão não onerosa de uso e terão carência de um ano até o início do pagamento das prestações. O valor mensal a ser pago será adequado à renda de cada família.

 Durante o período de construção das unidades (cerca de um ano), as famílias receberam atendimento do serviço social da Cohab e do setor de comercialização. Uma comissão de representantes dos futuros moradores, eleita pelo próprio grupo, acompanhou os trabalhos de construção junto aos engenheiros e arquitetos da Companhia.

O Moradias Monteiro Lobato é um empreendimento da Cohab que está parcialmente ocupado e, por isso, já conta com equipamentos como escola, creche e unidade de saúde em funcionamento. As casas, com dois quartos, foram erguidas em lotes remanescentes. As outras 61 unidades do conjunto serão entregues no próximo mês.

Com a casa própria, a filha de Maria da Luz poderá deixar o hospital

Para Maria da Luz Ferreira as chaves da casa do Moradias Monteiro Lobato tem um significa especial. É o início de uma nova vida para ela, a filha Ana Carolina, que irá completar quatro anos em agosto, e o filho Davi, de apenas um ano. Os três juntos poderão, pela primeira vez, ter uma vida em família. Até agora isso não era possível porque desde os dois meses de idade Ana Carolina vive na UTI do Hospital Pequeno Príncipe.

A menina sofre de uma doença rara, a atrofia muscular espinhal, também conhecida como Síndrome de Werdnig Hoffmann. Trata-se de uma moléstia que afeta as células e causa fraqueza e atrofia muscular progressiva, fazendo com que a criança tenha insuficiência respiratória e dificuldade para segurar a cabeça, sugar e deglutir.

Em função destas restrições, Ana Carolina vive presa ao leito e a um respirador artificial. Até agora não havia sido liberada pelos médicos para morar com a mãe porque a casa alugada onde Maria de Luz vivia não oferecia condições para o tratamento.

Para possibilitar a mudança para a casa nova, os técnicos da Cohab fizeram adaptações no projeto da unidade, incluindo revestimento no piso em paviflex (o mesmo material usado nos hospitais, para facilitar a limpeza); reforço no sistema elétrico, com tomadas na voltagem 220 para ligar os aparelhos médicos; portas largas para a passagem de cadeira de rodas; banheiro com desenho especial e mais espaço de circulação interna. Até a localização do imóvel foi escolhido cuidadosamente para possibilitar melhor insolação durante o dia.

Para Maria da Luz, receber a chave da casa própria foi mais um passo para conquistar o sonho de tirar Ana Carolina da UTI. Antes da mudança da menina, ela terá que fazer um treinamento com a equipe técnica do hospital para poder dar os cuidados que serão necessários, como a alimentação especial, por meio de sondas, e o monitoramento do respirador artificial.

Maria da Luz conseguiu junto ao SUS a doação dos equipamentos considerados imprescindíveis para o tratamento e de uma cadeira de rodas especial, com apoio para a cabeça e os pés e local para colocação de um respirador. "Minha filha até hoje não sabe o que é um lar. Ela vive em um ambiente de tristeza e quero dar mais qualidade de vida e calor humano para ela", diz Maria da Luz.

A aposentada Eva Terezinha dos Santos também tem planos para a casa nova. Cadeirante há 15 anos, ela irá morar sozinha numa das casas adaptadas para portadores de necessidades especiais. Eva fez parte da comissão de moradores que acompanhou as obras e, agora, está ansiosa para fazer a mudança, programada para a próxima semana.  Ela morava em um imóvel alugado no Sítio Cercado, "de parede e meia" com a filha. Agora, aos 49 anos, conquista a casa própria e realiza um antigo sonho. "Sempre quis morar em um lugar só meu", falou.

Em outra casa próxima Janete Pereira da Hora e seu companheiro Ilson Pereira da Silva também estão animados com a casa nova. Eles pretendem mudar com os três filhos na próxima segunda-feira. "Vamos fugir do aluguel", comemora Janete. Ilson, que trabalha como jardineiro e pedreiro, quer colocar lajota no assoalho e deixar o jardim bem bonito. Assim, espera chamar a atenção dos outros moradores e conseguir com os vizinhos trabalho para os próximos meses. "Vou morar melhor e aumentar a renda da família", fala. 
 

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