Publicado em 8/20/2010 4:05:20 PM

Obras da Cohab mudam cenário na Vila Pantanal

Mais de 300 famílias deixarão moradia precária e receberão casas novas no mesmo local. Investimentos ultrapassam R$ 10 milhões.

A Vila Pantanal, área irregular onde vivem 768 famílias, ocupada desde a década de 80 no Boqueirão, está passando pela maior transformação de sua história. Ao lado das precárias moradias já se podem ver as casas de alvenaria construídas pela Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab).

“É a visão dos contrastes. De um lado a ocupação desordenada feita em local impróprio, do outro as casas novas, construídas de maneira planejada e que vão mudar a realidade das famílias”, afirma o presidente da Cohab, João Elias de Oliveira.

Estão sendo eliminados os pontos de alagamentos, com a retirada dos moradores e a construção de casas em outros locais na própria vila. Serão ao todo 334 casas novas – 165 em uma primeira etapa, das quais 60 já estão prontas. Para receber as primeiras famílias resta somente a implantação da rede elétrica e de esgoto.

Após esta primeira realocação, os barracos insalubres onde viviam os moradores serão demolidos e no local haverá a continuação do aterro para a construção de mais novas unidades.

“Estas famílias sempre viveram uma realidade muito dura, agora estão prestes a mudar definitivamente de vida. Já podem contar com creche, escola e unidade de saúde e em breve entregaremos as primeiras casas novas”, diz o prefeito Luciano Ducci.

Além das 334 famílias que receberão casas novas, outras 434 permanecerão onde estão. Neste caso, quem está em situação mais precária receberá melhoria habitacional. Toda comunidade será atendida com melhoria na infraestrutura, com a implantação de redes de água, coleta e tratamento de esgoto, drenagem, energia elétrica e iluminação pública.

Investimento

As obras desta primeira etapa têm um custo de R$ 5,8 milhões, com recursos da Prefeitura e financiamento contratado pelo município junto ao PAC/ Pró-Moradia. Esta linha de financiamento usa dinheiro do FGTS e prevê que o retorno do empréstimo fica sob responsabilidade da Prefeitura.

O acompanhamento das obras está sendo feito mensalmente, em reuniões do chamado GGI - Grupo Gestor Integrado, que reúne técnicos das diversas instâncias envolvidas na implantação do PAC.

A intervenção na Vila Pantanal inclui ainda outras obras que irão complementar a urbanização e o reassentamento de famílias. Para isso, o município utilizará os recursos de um contrato firmado com o Fonplata (sigla em espanhol para designar um organismo financeiro internacional que atua nos países da bacia do rio da Prata). São mais R$ 5,1 milhões que serão aplicados na construção de 169 casas e no atendimento social das famílias.

Recomeço

O casal Leni Correa (37) e Solin Sansão da Silva (50) mora na Vila Pantanal há 12 anos. A casa precária, na beira do rio Iguaçu, oferece péssimas condições de saúde e higiene. Eles tem quatro filhos, para quem sonham em proporcionar um futuro melhor.

“Chega de viver nesta bagunça. Morar em beira de rio é muito triste, pois tem o problema das enchentes, dos ratos, da sujeira. Quero para meus filhos outra realidade, por isso estamos ansiosos em mudar para a casa da Cohab”, diz Leni.

Ambos são coletores de material reciclável, porém desejam mudar de ramo. “Após a relocação queremos parar de catar papel, sonhamos em montar um negócio, trabalhar com vendas. Não vamos levar para a casa nova nada do que está aqui, queremos recomeçar do zero”, afirma ela.

Sansão destaca outros aspectos da intervenção na vila. “Vai melhorar demais. Com a abertura de ruas e a urbanização vai diminuir a criminalidade, pois o acesso será mais fácil para a polícia”, ressalta.

A também coletora de material reciclável Santina Aparecida Pereira (52) mora na ocupação há oito anos, com o marido e três filhos. Ela vivia em uma área tão precária e sujeita a alagamentos que precisou ser removida emergencialmente mesmo antes do término das obras. Recebeu da Cohab uma casa provisória de madeira, onde vai permanecer com a família até a conclusão de sua nova casa de alvenaria.

“Eu vivia em um banhado que quando chovia era melhor entrar em casa descalça, pois era puro barro. Tinha muito rato, agradeço a Deus porque nunca pegamos leptospirose. Sair de lá foi uma benção”, diz ela. “A Cohab está fazendo um ótimo trabalho por nós, vamos melhorar de vida quando recebermos as casas novas”, completa Santina.

Viviane Corimbaba (31) mora há 5 anos no Pantanal, com o marido e quatro filhos. “Aqui é péssimo, não temos esgoto por isso não podemos fazer um banheiro decente. Tem muito rato, mau cheiro, barro. É uma situação complicada, mas felizmente logo vai acabar”, diz, esperançosa.

Ela trabalha com reciclagem e o marido na construção civil. Pela falta de endereço o casal já enfrentou alguns problemas. “Se tentamos fazer um cadastro em loja para fazer uma compra, somos rejeitados na hora, porque não temos comprovante de residência. Carta aqui não chega. É como se a gente não existisse”, afirma.

Em breve, a família de Viviane mudará para uma casa nova, confortável e segura, construída pela Cohab. Ela está contando os dias. “Não vejo a hora de mudar, para viver em melhores condições, em local regularizado, onde vamos poder deixar arrumado, bonito. Vai ser o começo de uma vida nova”, diz.


Histórico

A Vila Pantanal surgiu em meados da década de 80, em terrenos da Rede Ferroviária Federal e de particulares, dentro da APA (área de preservação ambiental) do rio Iguaçu. Em função das restrições para uso habitacional, a Vila tem infraestrutura precária e área com pontos de alagamento.

Os trilhos do pátio de manobras da ALL (concessionária da malha ferroviária do sul do país) funcionam como uma barreira física, que dificultam a ligação com o restante do bairro. Até 2005, a ocupação não tinha equipamentos comunitários. Para executar o projeto de urbanização, a Prefeitura antecipou a contrapartida e implantou no local escola de 1° grau, creche e unidade de saúde.
 

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