Publicado em 10/13/2010 5:56:58 PM

Catadores reassentados têm atendimento especial

Objetivos são preservar o meio ambiente, garantir segurança e saúde no trabalho, além de melhorar a renda dos catadores

Os coletores de material reciclável reassentados de áreas de risco ou beneficiados por obras de urbanização da Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab) estão recebendo atendimento especializado de técnicos ambientais. O objetivo é oferecer às famílias a possibilidade de trabalhar com segurança, viver em melhores condições de higiene, aumentar os ganhos e ajudar a preservar o meio ambiente.

Nas 43 áreas de ocupação irregular onde a Cohab está atuando foram cadastrados 800 coletores, que estão sendo acompanhados pelos técnicos ambientais. Estes profissionais trabalham nas Vilas junto com as assistentes sociais da Companhia e estão ligados à Secretaria Municipal do Meio Ambiente, que dá as diretrizes para o projeto de educação ambiental realizado com as famílias.

“Sabemos da importância para o município da atuação dos coletores na questão da reciclagem do lixo. Por isso, eles necessitam de atenção especial, para garantir que trabalhem adequadamente, sem riscos e com melhor aproveitamento do material. Os técnicos capacitam os coletores para que cumpram com maior organização e eficiência a sua função social”, afirma o presidente da Cohab, João Elias de Oliveira.

Para isso, os coletores que estão nas áreas de risco ou em processo de urbanização são integrados ao projeto EcoCidadão, da Prefeitura, que mantém os chamados parques de reciclagem - barracões onde o trabalho de separação do material reaproveitável é feito de maneira conjunta.

"O EcoCidadão é um programa que reconhece e valoriza os catadores de Curitiba, como um importante elo na cadeia da reciclagem, oferecendo todo o suporte para sua atividade", diz o prefeito Luciano Ducci.

São 10 parques espalhados pela cidade, mas a previsão é de que até o fim do ano outros oito parques de reciclagem sejam instalados. A meta é chegar a 25 parques até o final de 2011. Cada barracão é equipado com prensa, balança, empilhadeira e bancadas de separação de materiais. Além dos equipamentos, o espaço conta com cozinha, banheiros e área para carrinhos.

“Enfatizamos as vantagens da integração, como a possibilidade de ganhos maiores, para atrair os coletores e evitar que, sempre que possível, eles continuem trabalhando no quintal de suas casas”, explica Gustavo Yuri Misael, técnico ambiental responsável pelo Bolsão Audi/União, no Uberaba, onde residem mais de 200 catadores.

Além de encaminhar os coletores para o Ecocidadão, os técnicos da Cohab fazem outras atividades. “Realizamos reuniões periódicas com eles e damos palestras sobre assuntos como a transmissão de doença e os riscos em não manter a higiene. Além disso, fazemos visitas domiciliares para levar orientação sobre a correta maneira de se trabalhar. Eles nos recebem muito bem e participam, pois sabem que são eles próprios que têm a ganhar”, afirma o técnico ambiental Henrique Neto, que atua nas áreas que estão na abrangência da bacia do Barigui.

“Orientamos para que não acumulem muitos resíduos e mantenham sempre tudo organizado, porque isso evita a proliferação de ratos e insetos. Outro ponto importante é fazer com que eles sintam-se valorizados como agentes ambientais”, diz Gustavo.

Parolin
Somente na Vila Parolin, uma das 43 áreas com intervenção da Cohab, foram cadastrados 349 coletores de material reciclável. O casal Carlos e Antonina Pavilack Ribeiro trabalha com reciclagem há mais de 20 anos. Eles saíram há três meses da margem do rio Vila Guaíra e foram reassentados em uma casa de alvenaria. No barraco antigo, eles acondicionavam no quintal o material que recolhiam das ruas, porém na casa nova a prática mudou.

“Preferimos não trabalhar mais em casa, pois junta rato e tem perigo de incêndio. A casa da gente precisa estar sempre limpa e bem cuidada, porque isso faz bem para saúde. Estamos alugando um barracão na mesma rua, onde teremos ajuda de três filhas e uma nora. Trabalhando bastante vai dar para pagar o aluguel e as outras contas e ainda sobra”, fala Carlos.

Dona Nina, como é conhecida na comunidade, conta que quando eles conseguem material de boa qualidade a arrecadação chega a R$ 700 na semana e quando o material é de menor qualidade o ganho fica em R$ 400. Com esses valores, eles pagam os familiares e lucram o restante.

Outra questão importante diz respeito aos equipamentos de segurança. A recomendação é para que os trabalhadores fiquem protegidos, como faz a filha de Dona Nina, Priscila Ferreira, 23 anos. “Uso luva, avental e sapato fechado, para não entrar em contato direto com o material”, diz a jovem.

Essa conscientização é fruto do trabalho realizado pelos técnicos ambientais da Cohab. Na Vila Parolin, o responsável por orientar os coletores de material reciclável é o técnico ambiental Marcelo de Jesus. “Fazemos um acompanhamento constante, em especial depois que os moradores são reassentados, para garantir que não façam de suas novas casas um depósito desorganizado e também para que atuem com a devida segurança”, explica.

No Parolin, está prevista a construção de um parque de reciclagem do programa EcoCidadão. Por isso, alguns catadores reassentados estão provisoriamente fazendo a separação do material em casa. “Nessas situações, a orientação é para os moradores não acumulem demais e vendam rapidamente tudo o que foi coletado”, conta Marcelo.

É o caso de André Cirineu, que recebeu moradia nova em dezembro de 2009, onde vive com a esposa e um casal de filhos. Ele sai todas as noites com sua Kombi para recolher o material reciclável das ruas. “Na casa antiga eu deixava o material estocado na rua mesmo. Aqui, fui orientado pelo técnico ambiental a manter o ambiente sempre limpo. Faço tudo nos conformes para não ter problema”, afirma.

Cirineu aguarda ansioso a instalação de um parque de reciclagem do projeto EcoCidadão próximo a sua casa. “Será ótimo. Trabalhar com um ganho maior, sem atravessadores que ficam com parte de nosso lucro”, diz ele.

Ana Lúcia Alves, 40 anos, também acondiciona o material que recolhe no quintal de sua casa nova, que ela recebeu há três meses. Mora com quatro filhas e o marido, que também é coletor. “Na casa antiga não tinha espaço para se organizar, era tudo bagunçado, entulhado. Aqui é diferente, seguimos as orientações e procuramos manter organizado”, conta ela.

Os materiais guardados devem estar suspensos do chão e bem embalados. “Evita a proliferação de ratos, facilita a limpeza e impede que o chorume entre em contato direto com o solo”, explica Marcelo. As orientações são muito bem recebidas por Ana Lúcia. “Eu acho muito importante, pois ajuda a melhorar o nosso trabalho”, diz.

União Ferroviária
Márcio da Silva, 30 anos, é coletor de material reciclável desde os 9, quando saía com o carrinho na companhia de seu pai. Hoje, ele mora com a esposa e duas crianças em uma casa construída pela Cohab no empreendimento chamado Moradias União Ferroviária. Foi retirado da Vila Icaraí, onde acumulava o material recolhido em frente de casa. Na casa nova ele também separa o material na parte da frente de seu terreno, porém de forma mais organizada.
Próximo ao empreendimento existe um parque de reciclagem, mas a prefeitura pretende implantar mais um para atender a demanda da região. “Achei uma boa ideia, pois trabalhar em outro local, vai permitir que eu arrume o jardim da minha casa, plante grama e faça uma horta. Será melhor para as crianças brincarem e também para a saúde da família”, afirma.

Outra que saiu da Vila Icaraí para o Moradias União Ferroviária foi Maria Aparecida Santos. Coletora há 12 anos, sempre trabalhou com carrinho recolhendo material das ruas. Há menos de um ano optou pelo projeto EcoCidadão e não se arrepende. “É menos cansativo, a casa fica limpa e o melhor é que nós ganhamos mais, pois os produtos são vendidos direto para as indústrias. O barracão oferece tudo que nós precisamos para trabalhar e o material que chega é de boa qualidade. Entrei para ficar”, finaliza.

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