Publicado em 12/3/2010 2:52:41 PM

Projetos de reassentamento alavancam comércio de materiais de construção

Famílias reassentadas investem em tijolos, piso, cimento, areia e ferro para melhorar moradia recebida

Os projetos de reassentamento promovidos pela Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab) estão movimentando o comércio de materiais de construção nas proximidades das áreas atendidas. Após deixar situação de risco, as famílias reassentadas logo passam a investir em melhorias para a casa nova. Em muitos casos, os moradores compram materiais de construção antes mesmo de se mudarem.

“Com a autoestima elevada por passar a viver em casas de alvenaria, os moradores tomam gosto por fazer melhorias em suas moradias. Todo o material de construção utilizado é comprado nas proximidades. Fato que fomenta o comércio local”, diz o prefeito Luciano Ducci.

Na Vila Parolin, ocupação mais antiga da cidade, desde julho do ano passado quando iniciaram as relocações, já foram reassentadas 194 famílias. Outras 28 mudam para a casa nova na semana que vem. O comércio de materiais de construção logo sentiu o crescimento nos negócios, reflexo positivo da intervenção da Cohab.

Vendas em alta
Sheyla Gobi, proprietária de uma loja de materiais de construção no Parolin, precisou contratar mais dois funcionários para dar conta da demanda gerada. O negócio, que contava com 9 empregados, agora possui 11. “Desde que começou o projeto, as vendas da loja cresceram 20%. Antes eu vendia tábua, madeirite e telhas de eternite que eram usadas nos barracos. Piso era muito raro de vender”, lembra Sheyla.

Hoje o que mais sai são os pisos cerâmicos, tijolos, cimento, rejunte, cal, areia e ferro. “É resultado das obras da Cohab. Logo que se mudam, os moradores já começam a construir os muros nas divisas de lotes e na frente das casas. Muitos colocam portão de ferro e outros ampliam a casa, fazem quartos a mais”, conta a comerciante.

Segundo ela, após erguer o muro, a segunda providência dos moradores é colocar o piso na casa toda. “Geralmente são as mulheres que vem até a loja para escolher o modelo. Eu já me sinto parte desse processo, dou sugestões, faço promoções. No momento, quem comprar o piso comigo leva o rejunte de brinde. É gratificante ver a alegria deles em melhorar de vida e cuidar da casa nova”, ressalta.

Outro item que Sheyla tem comercializado bastante é a cozinha pré-montada. “Pedi para o fornecedor produzir uma cozinha exatamente no tamanho que se adapta nas casas da Cohab. Foi um sucesso de vendas, muita gente vem procurar”, diz.

Apesar de serem pessoas humildes, o pagamento à vista é a forma mais utilizada. “Eles guardam dinheiro por um bom tempo só esperando o dia de receberem a casa. Muitos conseguem através de doações de patrões. O importante é que todos dão um jeito de incrementar o novo lar”, comenta Sheyla.

No aguardo
O casal João Pedro e Amélia Pereira Alves vive na vila Parolin há 35 anos, numa casa situada em um beco que sofre com as enchentes. “Aqui é difícil, já perdemos tudo que a gente tinha. Não vemos a hora de sair”, diz Amélia. A mudança deles está prevista para a o mês que vem.

João, que é aposentado, mas faz bicos de pedreiro, está ansioso para trabalhar na casa nova. “Eu mesmo vou construir o muro e colocar a lajota no piso. Os materiais já comecei a comprar desde que foi feito o sorteio das casas”, conta. Segundo ele, desde que iniciaram as obras da Cohab surgiram mais oportunidades de ganhar um dinheiro extra. “Tem bastante serviço, um muro aqui, outro ali. Isso é ótimo”, afirma.

Quem também comprou o material antes mesmo de se mudar foi o casal Francisca Magalhães e Tamatsu Iriguti, moradores da ocupação há 31 anos. Eles vão para uma casa adaptada, pois têm um filho cadeirante. “Assim que a gente mudar já vamos começar a ampliar, para fazer um ou dois quartos a mais”, conta Tamatsu.

O azulejo para cozinha e banheiro já foi definido por Francisca. “Já fui lá na loja escolher o mais bonito. Estou contando os dias para deixar esta situação aqui e mudar de vida”, encerra.

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