Publicado em 12/23/2010 5:40:40 PM

Cohab prepara reassentamento de famílias na Vila Pantanal

A transferência das famílias para as casas novas começa no próximo mês

A Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab) realizou nesta quinta-feira (23) sorteio para definir a ocupação das casas construídas para reassentamento de moradores da Vila Pantanal, no Alto Boqueirão. A transferência das primeiras famílias está marcada para o dia 5 de janeiro.
“Os moradores reassentados deixarão uma situação de risco e vulnerabilidade extrema e passarão a viver em imóveis seguros e regulares”, diz o prefeito Luciano Ducci.

A Vilas Pantanal é uma das 43 áreas irregulares da cidade onde a Cohab está executando projeto de urbanização e retirando famílias que moram nas margens de rios. A Vila, com 768 domicílios é uma das precárias ocupações de Curitiba, pois sua localização, próxima à Área de Preservação Ambiental (APA) do Iguaçu, impedia a execução de infraestrutura e melhorias no local.

Parte das famílias está vivendo em pontos de alagamentos e junto à faixa de preservação do rio. Elas serão gradativamente transferidas, a partir do próximo mês, para um novo loteamento que está sendo implantando na própria área, em ponto onde não há restrições para uso habitacional nem perigo de inundação.

Serão reassentadas 334 famílias e, no primeiro dia de mudanças, 15 delas irão para as casas novas. O objetivo do sorteio realizado nesta quinta-feira é determinar o imóvel que cada família passará a ocupar. O sorteio das unidades é feito compatibilizando o número de quartos (um, dois ou três) com a composição familiar.

“Esta sistemática para definir a ocupação das casas foi aprovada pelas famílias que serão reassentadas e visa evitar que haja favorecimentos, dando mais transparência ao processo”, explica o presidente da Cohab, João Elias de Oliveira. Todas as famílias participam da realização do sorteio, que é coordenado pela equipe de serviço social da Cohab.

Durante esta semana, antes de realizar o sorteio, os técnicos sociais fizeram reuniões com a comunidade, explicando como será o processo de transferência para as casas novas. Representantes de outros setores da Cohab, como obras e projetos, e das concessionárias de serviços de água e energia elétrica também participaram dos encontros, prestando informações e dando orientações aos moradores.

Presente de Natal - Abília dos Santos, 67 anos, é moradora da Vila Pantanal desde 1989. “Receber a casa nova é o melhor presente de Natal que eu podia esperar. Estamos muito felizes, parece um sonho. Agora teremos qualidade de vida”, afirma.

Ela vive em uma casa de madeira com a neta Thaisa Martins e a bisneta Brenda. “A casa é  antiga, pequena, com bastante problemas. Graças a Deus tudo isto vai ficar para trás. Agradeço de coração  à Cohab”, diz Abília.

Outra que vai começar o ano de casa nova é a jovem Daiane Talevi Pontes, 24 anos. Ela é mãe da pequena Kaela, de 5 meses e casada com o metalúrgico Fábio Ferreira, 28. “Estamos encerrando de maneira perfeita um ano que foi maravilhoso. Tivemos nossa filha, meu marido conseguiu um emprego novo e agora esta notícia da casa nova para fechar com chave de ouro”, conta animada.

O casal veio do interior em 2009 em busca de melhores oportunidades de trabalho e acabaram na Vila Pantanal. A casa onde moram é de madeira antiga. “A casa está cheia de buracos, tem goteira. Aparecem muitos ratos e principalmente mosquitos. Sempre tive medo por causa da menina. Agora é vida nova”, encerra.

Urbanização - Além das 334 famílias que serão reassentadas, o projeto de urbanização da Vila Pantanal também contempla obras para as famílias que não serão transferidas do local onde vivem, porque não estão sujeitas a riscos. As moradias que estão nestes pontos e são muito precárias receberão melhoria habitacional (por exemplo, construção de módulos sanitários e paredes corta-fogo, substituição de cobertura, reforço de piso, pintura, instalação elétrica ou hidráulica).

As obras de urbanização incluem a execução de redes de água, energia elétrica, drenagem, organização do sistema viário e pavimentação. As obras têm custo global de R$ 10,1 milhões e estão sendo feitas com recursos do município e de financiamentos contratados junto ao programa PróMoradia, do governo federal, e Fonplata (organismo financeiro que atua nos países da bacia do rio da Prata, na América do Sul).

Histórico - A Vila Pantanal surgiu em um terreno da Rede Ferroviária Federal (RFFSA), localizado junto à APA do rio Iguaçu e ao lado de um pátio de manobras de trens. O local hoje é administrado pela ALL (América Latina Logística), empresa que detém a concessão para operação da malha ferroviária do sul do país. Em função da sua localização, a área tem restrições ambientais e de segurança para uso habitacional. Os trilhos do trem funcionam como uma barreira física, impedindo a ligação com o restante do bairro.

Até recentemente, a ocupação não havia recebido nenhuma infra-estrutura e não tinha equipamentos comunitários. A partir de 2005, o perfil local começou a mudar, com a instalação de uma escola de 1° grau, uma creche e uma unidade de saúde dentro da área. A instalação destes equipamentos estava prevista no projeto de urbanização e integra a contrapartida aos financiamentos concedidos ao município para a intervenção na área.

  

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