Publicado em 1/18/2011 4:45:45 PM

Longe do perigo de enchentes

10 mil pessoas já deixaram áreas de risco e podem dormir tranquilas mesmo com as fortes chuvas

O trabalho de reassentamento de moradores que vivem em áreas de risco vem garantindo o sono tranquilo de milhares de famílias na cidade de Curitiba. Em dois anos de atuação da Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab), 2.790 famílias já deixaram beira de rios. São 10 mil pessoas que foram relocadas em casas e sobrados construídos em loteamentos novos, implantados especialmente para reassentamento.

“É uma população que estava acostumada a sofrer constantes perdas em decorrência das chuvas, pelo fato de residirem em ocupações irregulares situadas em locais muito baixos e próximo a rios. A Prefeitura está retirando gradativamente estas pessoas, conforme as novas casas ficam prontas”, explica o prefeito Luciano Ducci.

É o caso do Moradias Jandaia, empreendimento construído no bairro Ganchinho para receber famílias oriundas de ocupações na bacia do Ribeirão dos Padilha e do rio Iguaçu.

O Moradias Jandaia foi criado para abrigar 405 famílias - 314  das Vilas 23 de Agosto, Campo Cerrado e Osternack, 54 da Ulisses Guimarães (ocupações na bacia do Ribeirão dos Padilha) e mais 35 da Vila Nova, área que fica na bacia do rio Iguaçu. Deste total, até agora já foram reassentadas 198 famílias.

A execução do empreendimento significa um investimento de R$ 6,7 milhões, com recursos do município e do governo federal. Este valor não inclui o custo de implantação do loteamento, que foi realizado dentro do programa de parceria com a iniciativa privada da Cohab.

Enfim tranquilidade 
“Morando aqui me sinto no céu”, afirma a diarista Sônia Regina Cedeçari, 28 anos, que se mudou para o Jandaia há cinco meses, após viver durante cinco anos na Vila Campo Cerrado com suas cinco crianças. “Chegava a alagar minha casa duas vezes por semana, com água na altura do joelho. Perdi geladeira, jogo de sala, camas. Começava a chover já batia o desespero, ninguém dormia direito. Aquilo não era vida”, relembra.

Agora a realidade é outra. “Aqui é uma delícia. Pode chover que continuamos sossegados. Podemos comprar as coisas, porque sabemos que não vai se perder. Começamos uma vida nova, estamos conseguindo dormir tranquilos. O trabalho da Cohab tem ajudado muita gente, logo todos os que estão em situação de risco vão para lugares seguros”, destaca.

A dona de casa Ana Maria Jacinto, 54 anos, mora com o marido e dois filhos em uma casa de esquina no Jandaia, desde agosto de 2009. Durante 18 anos viveu na Vila Osternack, onde perdeu todos os móveis em uma enchente no ano de 2004. "Mal posso acreditar que saí daquela beira de rio, com enchente, rato, barata e hoje vivo nessa casa linda, onde até horta eu posso cultivar. Quando chove a água escorre, o terreno fica sempre sequinho. A Cohab foi muito boa para a nossa e muitas outras famílias”, afirma.

Zulmira da Silva, 77 anos é viúva e vive da pensão que recebe. Desde abril passado, ela reside no Moradias Jandaia com o filho de 46 anos, que faz bicos de encanador, carpinteiro e eletricista. Nos 15 anos em que morou na Vila Campo Cerrado, perdeu a conta de quantas grandes enchentes enfrentou. “Alagava com qualquer chuvinha, mas quando era forte a água vinha na cintura. Mais de 10 vezes perdi tudo e tive que comprar de novo geladeira, sofá, armários. A situação era muito difícil”, conta.

A pior enchente que enfrentou, em 2002, Zulmira relembra com detalhes. “Meu filho ficou com o pé na porta pra impedir a água de entrar, mas não adiantou. A força era tanta que revirou tudo. Ele ficou segurando meus netos e eu tive que aguentar sozinha e a água subindo sem parar. Tinha gente em cima dos telhados, um desespero. Teve um senhor que morreu nessa ocasião levado pelas águas. Mas com a rapidez que subiu, graças a Deus parou de chover e logo a água baixou. Depois foi só ver o estrago”, recorda.

Hoje ela diz se sentir segura na casa nova. “Aqui estou ótima, sem perigo nenhum. É um sentimento muito bom este de ter segurança. Dói o coração de ver na TV estas pessoas que perderam tudo por estarem em local de risco. Para nós, o atendimento da prefeitura foi uma benção”, encerra.

Áreas  beneficiadas
Os projetos de reassentamento espalhados pela cidade foram agrupados por bacias e abrangem os rios Belém, Iguaçu, Atuba, Ribeirão dos Padilha, Formosa, Barigui e Passaúna. O projeto global envolve 43 vilas, com benefícios para cerca de 13 mil famílias. Desse total, 6.090 serão reassentadas – mais de 90% originários de áreas ribeirinhas. O reassentamento está sendo feito de forma gradativa e deve ser concluído até 2012.

Entre as áreas beneficiadas com reassentamentos da margem de rios estão Vila Parolin, Vila Audi, Nova, Uberlândia, São José, Formosa, Leão, Gramados, 23 de Agosto, Campo Cerrado, Osternack, Higienópolis I, II e III, Paraíso, Menino Jesus, Bom Menino, Nápoles, Malvinas, Nova República, Nova Barigui, Alto Barigui, Olinda, Recanto da Paz e Morro da Esperança.

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