Publicado em 4/7/2011 5:38:26 PM

Mais 36 famílias são reassentadas na Vila Pantanal

Moradores deixam área de risco e passam a viver em casas seguras

 

  

 

O projeto de urbanização da Vila Pantanal contemplou mais 36 famílias com novas moradias. As unidades habitacionais foram construídas pela Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab) em terreno na própria vila. Após esta etapa chega a 101  o número de famílias atendidas.

“Os moradores reassentados deixam uma situação de miséria e vulnerabilidade extrema e passam a viver em imóveis seguros e regulares, fato que altera o cenário da região ao torná-la mais bonita e eleva a autoestima dos cidadãos, que recomeçam as suas vidas”, diz o prefeito Luciano Ducci.

A Vila Pantanal é uma das 43 áreas irregulares da cidade onde a Cohab está executando projeto de urbanização e retirando famílias que moram nas margens de rios. A Vila, com 768 domicílios é uma das mais precárias ocupações de Curitiba, pois sua localização, próxima à Área de Preservação Ambiental (APA) do Iguaçu, impedia a execução de infraestrutura e melhorias no local.

Parte das famílias está vivendo em pontos de alagamentos e junto à faixa de preservação do rio. Elas estão sendo gradativamente transferidas para um novo loteamento implantando na própria área, em ponto onde não há restrições para uso habitacional nem perigo de inundação. As 101 famílias que já foram reassentadas fazem parte de um total de 334 que receberão casa nova.

As demais 434 famílias, que estão em locais que não oferecem riscos, serão contempladas com obras de urbanização no próprio local onde residem. Estão sendo implantadas redes de água, energia elétrica, drenagem, organização do sistema viário e pavimentação.

O projeto tem custo global de R$ 10,1 milhões e está sendo executado com recursos do município e de financiamentos contratados junto ao programa Pró Moradia, do governo federal, e Fonplata (organismo financeiro que atua nos países da bacia do rio da Prata, na América do Sul).

Recomeço - O casal Leni Correa, 37 anos, e Solin Sansão da Silva, 50, mora na Vila Pantanal há 12 anos. Viviam em uma casa precária na beira do rio Iguaçu, que oferecia péssimas condições de saúde e higiene. Eles tem quatro filhos, para quem sonham em proporcionar um futuro melhor a partir de agora. “Chega de viver na bagunça. Morar em beira de rio é muito triste, pois tem o problema das enchentes, dos ratos, da sujeira. Quero para meus filhos outra realidade”, diz Leni.

Ambos são coletores de material reciclável, porém desejam mudar de ramo. “Agora queremos parar de catar papel para trabalhar com carteira assinada em alguma empresa”, conta ela. Sansão destaca outros aspectos da intervenção na vila. “Vai melhorar demais. Com a abertura de ruas e a urbanização vai diminuir a criminalidade, pois o acesso será mais fácil para a polícia”, ressalta ele. O casal já instalou piso cerâmico e garante que vai zelar pela limpeza da casa nova.

 A diarista Viviane Corimbaba, 31 anos,  viveu com o marido e quatro filhos por 5 anos em local insalubre na Vila Pantanal. “Era horrível, não tinha esgoto por isso não podíamos fazer um banheiro decente. Tem muito rato, mau cheiro, barro. Situação complicada, mas felizmente acabou”, ressalta. Ela trabalha com reciclagem e o marido na construção civil. “Pretendemos começar uma vida nova. Já colocamos o piso e agora vamos erguer o muro. Estamos muito felizes”, afirma.

O coletor de material reciclável João Bento, 58 anos, recebeu sua casa nova após morar por 15 anos na beira do rio, com a esposa Marilei Andrade, 42. “Ele vai parar de trazer o material que coleta para casa e vai procurar o barracão do Eco Cidadão. Na casa nova queremos manter a limpeza”, diz ela.

Histórico - A Vila Pantanal surgiu em um terreno da Rede Ferroviária Federal (RFFSA), localizado junto à APA do rio Iguaçu e ao lado de um pátio de manobras de trens. O local hoje é administrado pela ALL (América Latina Logística), empresa que detém a concessão para operação da malha ferroviária do sul do país. Em função da sua localização, a área tem restrições ambientais e de segurança para uso habitacional. Os trilhos do trem funcionam como uma barreira física, impedindo a ligação com o restante do bairro.

Até recentemente, a ocupação não havia recebido nenhuma infra-estrutura e não tinha equipamentos comunitários. A partir de 2005, o perfil local começou a mudar, com a instalação de uma escola de 1° grau, uma creche e uma unidade de saúde dentro da área. A instalação destes equipamentos estava prevista no projeto de urbanização e integra a contrapartida aos financiamentos concedidos ao município para a intervenção na área.

 

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