Publicado em 7/7/2011 11:47:33 AM

Cohab ensina economia doméstica antes de entregar casa nova

Moradores da Vila Xisto que serão reassentados estão aprendendo a controlar o orçamento e a se adequar a um novo modo de vida

Os moradores da Vila Xisto, ocupação irregular localizada na divisa com Araucária, estão participando de oficinas de economia doméstica promovidas esta semana pela Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab). O objetivo é capacitar as famílias que serão reassentadas para que aprendam a controlar o orçamento e consigam se adequar a um novo modo de vida.

“Ao serem inseridos na cidade formal no momento em que recebem novas moradias, estes cidadãos também ganham deveres. Precisam honrar as contas de luz e água por exemplo, diferente do que ocorre nas ocupações irregulares. Daí a importância deste trabalho feito pela Cohab”, explica o prefeito Luciano Ducci.

A oficina de economia doméstica foi uma iniciativa do serviço social da Companhia para auxiliar as famílias a se planejarem após a mudança. “Muita coisa muda na realidade destas pessoas, que ao receberem novas casas também desejam comprar novos móveis, eletrodomésticos, ampliar a construção, erguer muro, além de pagar as contas. Tudo isto exige planejamento financeiro”, diz o presidente da Cohab João Elias de Oliveira.

A atividade foi realizada na Unidade de Saúde Vitória Régia, no CIC, com turmas de 25 pessoas. Os participantes receberam dicas sobre hábitos simples que ajudam a economizar no momento das compras de supermercado, como o consumo de frutas e verduras da época, por estarem mais baratas, ou então a substituição de itens que estejam com o preço alto. Não ir às compras com fome e não levar crianças também ajuda a gastar menos.

As assistentes sociais que ministraram a oficina ressaltaram a importância de pequenos gestos que evitam o desperdício de água, como fechar a torneira ao lavar a louça e escovar os dentes e consertar os vazamentos. Também explicaram a vantagem das lâmpadas fluorescentes. “Pode parecer óbvio, mas para estas pessoas será tudo muito novo. Elas vivem de maneira precária e vão deixar esta condição, portanto toda orientação é válida”, diz Kelli Regina Albanese, uma das responsáveis pela oficina.

Planilha

O ponto alto da atividade foi a entrega de uma planilha de gastos para cada participante. A planilha foi elaborada em três partes para cada mês: a primeira visa conhecer os gastos mensais da família. “É uma tabela onde a pessoa vai anotar tudo o que foi gasto a cada dia, com objetivo de registrar o total gasto em cada mês”, explica a assistente social Samira de Araújo Boava.

A segunda tabela é para os vencimentos. É onde a família vai anotar a data e o valor do pagamento de todas as suas contas. Já na terceira parte da planilha fica a soma dos gastos divididos por categorias. “Aqui é onde as famílias vão identificar onde gastam mais, se é no mercado, na padaria, com transporte, prestações, vestuário, lazer”, diz Samira.

Ao final comparam-se os recebimentos com as despesas para saber o quanto sobrou. “É fundamental que as famílias criem o hábito de ao final de cada dia anotar tudo o que foi gasto, para que possam se planejar com o orçamento disponível”, afirma Kelli.
A atendente de telemarketing Patricia Franciele, 24 anos, gostou da oficina. “Achei muito bom, vou aproveitar as dicas, principalmente as de mercado, que é onde eu acabo extrapolando”, disse.

O sonho dela é se formar em Direito. “Assim que minha vida se estabilizar na casa nova pretendo retomar os estudos. Quero ser advogada e sei que para alcançar este sonho vou precisar de muita organização e planejamento”, destacou.


Boa Esperança

As 103 famílias que residem de maneira precária entre a linha do trem e a rodovia do Xisto serão reassentadas no Moradias Boa Esperança, empreendimento localizado no Tatuquara e que está em fase de conclusão com entrega prevista para agosto. Os moradores serão atendidos com sobrados de dois quartos em local com infraestrutura de redes de água, esgoto, energia elétrica, iluminação pública e ruas pavimentadas.

Ana Renata Garcia, 24 anos, mora na Vila Xisto há seis anos, com o marido Carlos e duas filhas. Ela espera ser mais respeitada após mudar para a casa nova. “Nós somos muito mal vistos fora da vila. Olham torto, comentam que somos favelados, que temos o sapato sujo de lama. Ao sair daqui para um lugar melhor vamos ganhar dignidade e poderemos andar de cabeça erguida”, concluiu ela.

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