Publicado em 6/15/2012 11:24:04 AM

Obras de reassentamento ajudam a evitar enchentes na bacia do Barigui

90% das famílias que viviam na beira dos rios já foram transferidas para novas moradias

As fortes chuvas que caíram sobre Curitiba nas primeiras semanas de junho não ocasionaram alagamentos em moradias na área da bacia do rio Barigui. Isto graças às obras de limpeza dos rios e ao projeto de reassentamento de moradores de áreas de risco, coordenado pela Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab). Das 824 famílias que habitavam margens de rios desta bacia, 735 já foram transferidas para novas moradias.

“Estas famílias deixam condições insalubres em habitações precárias e passam a viver em moradias seguras, longe do risco de enchentes. Porém elas não são as únicas beneficiadas. Com as margens dos rios desocupadas será possível iniciar na semana que vem a recuperação ambiental da área que foi degradada. As enchentes na região ficaram no passado”, afirma o secretário municipal de Habitação e presidente da Cohab, Ibson Campos.

Segundo informações do Simepar, nos 10 primeiros dias de junho o volume de chuvas ultrapassou 150 milímetros, enquanto a média histórica do mês todo é de 116 milímetros. Chuvas nesta quantidade em outros tempos teriam causado enormes estragos na vida das famílias. A supervisora da Fundação de Ação Social (FAS) núcleo CIC, Zanete Buzzi relembra das dificuldades antes da retirada das famílias.

 “Começava a chover e toda a equipe já ficava apreensiva. Eram centenas de famílias afetadas, que perdiam seus alimentos, móveis, às vezes perdiam tudo. Tínhamos que retirar crianças de dentro do rio, conseguir doações, arranjar abrigo para todos. Era uma situação muito complicada”, conta.

Hoje, os investimentos da Prefeitura transformaram a realidade na região. “Os moradores que foram transferidos vivem uma situação confortável e os que permaneceram em suas casas, em locais que antes alagavam, foram beneficiados com a dragagem do rio e mesmo com o intenso volume de chuvas não houve nenhuma ocorrência. Temos que comemorar”, ressalta Zanete.

Intervenção - O projeto de intervenção na bacia do Barigui contempla ao todo 1.326 famílias. Além das 824 que estão sendo reassentadas, 502 que residem em locais sem restrições habitacionais serão atendidas com obras de urbanização e infraestrutura. São 13 ocupações irregulares envolvidas no projeto: Nova Barigui, Alto Barigui, Recanto da Paz, Sandra, Eldorado, Cruzeiro do Sul, Morro da Esperança, Olinda, Nápoles, Malvina, Nova República, Rigoni e Nossa Senhora da Paz.

Para reassentar as famílias de beira de rio foram construídos quatro empreendimentos habitacionais. O maior deles, o Moradias Corbélia, no bairro Augusta, já recebeu a transferência de 545 famílias, restando dez para completar sua ocupação. No mesmo bairro está o Moradias Aquarela, para onde se mudaram outras 150 famílias. O Moradias Ibaiti, no CIC, já recebeu 30 famílias e na Vila Bom Menino, no Mossunguê, foram reassentadas dez famílias.

Ainda serão transferidas 89 famílias – 10 para o Corbélia, oito para o Ibaiti, 34 para o Moradias Bom Menino e 37 para o Moradias Arapoti, conjunto que será construído no bairro Fazendinha. A construção das 824 unidades habitacionais, além de uma escola, creche e unidade da FAS no Moradias Corbélia representam investimentos de  R$30 milhões, recursos do governo federal e contrapartida da Prefeitura.

A líder comunitária Laurides Cordeiro da Silva foi retirada da ocupação irregular vila Olinda e reassentada em uma nova unidade no Moradias Aquarela. “Eu morava em um lugar um pouco mais alto, então não sofria com as enchentes, mas muitas vezes precisei dar abrigo a famílias desamparadas, que tinham perdido tudo nas chuvas. Hoje este problema não existe mais. Recebemos novas casas e estamos nos sentindo no céu”, destaca.

Parque linear -  Com a retirada das famílias, as margens dos rios serão recuperadas. Na quarta-feira (13), o prefeito Luciano Ducci assinou ordem de serviço para início imediato das obras de dois novos parques na bacia do Barigui: um na Vila Rigoni, no Fazendinha e outro na rua Bernardo Meyer, no CIC.

Os parques são parte de um projeto maior, o Viva Barigui, que prevê um único parque de 45 quilômetros de extensão formando um corredor de biodiversidade e de infra-estrutura às margens do rio Barigui.

O projeto prevê medidas de preservação de nascentes, conservação de ambientes naturais ainda existentes na região, ordenamento das áreas de ocupação irregular às margens do rio, recomposição da vegetação nativa e, em consequência, melhoria da qualidade hídrica da bacia.

Além de atender à principal prioridade, que é despoluir os rios que compõem a bacia, a Prefeitura fará, gradativamente, obras de infra-estrutura para consolidar o Parque Linear do Rio Barigüi, interligando parques, bosques e áreas de lazer já existentes com novas unidades de conservação que serão instaladas.

Ao longo do Parque Linear serão aproveitados trechos do sistema viário existente e criadas novas ligações, inclusive com pistas de caminhadas e ciclovias, formando uma via com paisagismo e arborização, dotada também de sinalização e iluminação exclusivas, que delimitará as áreas de preservação, evitando novas ocupações irregulares ao longo das margens.

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