Publicado em 1/29/2013 10:12:23 AM

Famílias trocam risco por segurança e estabilidade

Famílias trocam risco por segurança e estabilidade

A zeladora Benedita de Fátima Silva Cavva conta que está se sentindo “como uma madame”. Aos 52 anos, dos quais 23 passados com a família na beira do Ribeirão dos Padilha, na área conhecida como Vila Mariana, no Xaxim, ela se mudou no mês passado para o Moradias Boa Esperança 3, junto com o marido e um dos três filhos. Os outros dois, Daniel e Daniela, já casados, chegaram esta semana no Moradias Cerâmica e cada um foi reassentado em uma casa.

“Aqui, sim, vamos ter uma vida digna”, diz Benedita. Ao lado do filho Daniel e do marido Gonçalo, ela relembra as dificuldades que ficaram para trás, na Vila Mariana: “Quando chovia, entrava água até a cintura. Nos outros dias, enchia de ratos, que atacavam toda nossa comida. Não tinha prazer em arrumar a casa, comprar móveis novos ou até mesmo de me alimentar”.

O marido de Benedita, pedreiro, planeja fazer melhorias no sobrado novo.  “Para mim, não tem dinheiro no mundo que pague a casa que recebemos”, diz. Eles foram os primeiros da família Cavva a fazer a mudança, em dezembro. Na semana passada, Benedita chegou a temer pelo reassentamento dos dois filhos. “Quando passaram a ocupar as casas na segunda-feira, fiquei com medo que os dois não pudessem se mudar. Só fiquei tranquila depois que as duas mudanças chegaram”, falou.

O filho de Benedita, Daniel, de 27 anos, mudou no sábado (26), com a mulher e dois filhos (de três e um ano de idade). Ele trabalha como ajudante numa transportadora na Ceasa e também está feliz com a casa nova. “Tem até asfalto”, diz ele, que passou praticamente toda sua vida na beira do rio, enfrentando o risco de enchentes e desabamentos. “Com o tempo, o rio estava avançando no barranco e nossas casas estavam a cada dia com risco maior”, relembra.

Sonho – O medo também fazia parte do cotidiano de Elizete Alves da Silva dos Santos. Mãe de quatro filhos, durante oito anos ela viveu com o marido Antonio Carlos num fundo de vale na Vila Bela Vista da Ordem, no Tatuquara. “Era horrível, não tinha sossego nunca. Bastava o céu ficar escuro para começar o pavor de ver tudo ir embora levado pela água”, lembra.

A família mudou para o sobrado novo no final do ano passado e retornou no sábado (28) para ver o lugar onde morava antes da mudança. “Não sinto saudade nenhuma. Às vezes, eu nem acredito que consegui uma casa nova. Parece um sonho. Aqui será um lugar bom para criar meus filhos”, disse.

O marido de Elizângela trabalha como pedreiro e já faz projetos para ampliar o sobrado de esquina. “Como tenho quatro filhos, vou fazer pelo menos mais um quarto. Aos poucos, a gente vai ajeitando tudo, com gosto”, falou.

A aposentada Zeni Paula Roda, de 59 anos, mudou para nova casa no final de novembro do ano passado, depois de passar mais de 20 anos morando na beira do rio. Ela conta que não imaginava que um dia teria uma casa com conforto e segurança para ver as netas crescerem com saúde. “A cada chuva, perdíamos um pedaço do lugar onde morávamos. Um dia, a entrada desbarrancou, foi para dentro do rio. Sabíamos que estar ali não era o correto, mas era nossa única opção”, conta Zeni. Depois disso, a família foi morar de aluguel, enquanto esperava a casa nova ficar pronta.

Agora, morando em um novo sobrado com a família, a aposentada viu a vida melhorar. “É o sossego que eu precisava para fechar o olho e dormir. Ouvir a chuva cair já não me apavora mais. Ver minhas netas correrem e brincarem numa casa de verdade é um sonho conquistado”, disse Zeni.

Esperança – A dona de casa Ana Paula Prucinio, de 30 anos, viveu toda sua vida em área de risco. Não corria perigo da maioria dos vizinhos, cujas casas ficavam na barranca do rio, mas o problema era a localização do imóvel, praticamente no meio da rua. “Minha tranquilidade dependia da atenção dos motoristas. Meus filhos não tinham liberdade para brincar e eu não sabia se era mais seguro deixá-los dentro ou fora daquela casa”, conta ela. 

A insegurança de Ana Paula acabou no final de dezembro, quando ela se mudou para o Boa Esperança 3. “Depois dos meus filhos, o maior presente que eu poderia ter recebido na vida”, falou. Lá, ela passou a virada de ano, com esperanças renovadas. “Nossas vidas estão começando outra vez. Cada dia  arrumo mais um cantinho do lugar que agora é mesmo um lar. E, o mais importante: é nosso”, diz Ana Maria. A casa agora tem mais espaço – dois quartos, banheiro, sala e cozinha. Uma novidade para quem vivia em um barraco de apenas um cômodo e um banheiro.

Porta arrombada – O porteiro Celso de Souza Carvalho, de 40 anos, teve que mudar às pressas para um dos sobrados do Moradias Cerâmica. A casa que estava destinada a ele foi uma das unidades invadidas na semana passada e, quando Carvalho chegou com a mudança, encontrou a porta arrombada e parcialmente destruída. Ele foi avisado do arrombamento por uma assistente social da Cohab e concordou em antecipar para o sábado (26) a mudança que inicialmente estava programada para o dia 30.

“Uma pena. No inicio de janeiro, vim visitar a casa nova e ela estava linda, limpinha e prontinha para morar, sem qualquer dano”, contou. Carvalho viveu durante 30 anos na Vila São José, no Novo Mundo, em situação de risco, na beira do rio Formosa.
 

 

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