Publicado em 3/7/2013 12:41:32 PM

Mulheres se destacam em canteiro de obras da Cohab

Dos 290 operários que trabalham na construção dos residenciais Parque Iguaçu, 75 são do sexo feminino

Cada vez mais presentes na construção civil, as mulheres estão superando o preconceito para literalmente colocar a mão na massa. Em um setor historicamente dominado pelos homens, o sexo feminino tem alcançado significativo destaque. Na maior obra em andamento do programa habitacional do município - os residenciais Parque Iguaçu - elas representam 25% dos trabalhadores do canteiro.

Contudo não é a quantidade o que mais impressiona – 75 mulheres em um total de 290 operários -  mas sim o comprometimento e a qualidade dos serviços realizados. “As mulheres são mais pontuais e caprichosas, por isto as empreiteiras estão abrindo cada vez mais espaço para elas”, afirma o presidente da Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab), Ubiraci Rodrigues.

Os residenciais Parque Iguaçu I, II e III estão em obras no bairro Ganchinho para atender inscritos na fila da Cohab e moradores que serão retirados de áreas de risco social. Ao todo serão entregues 1.411 unidades habitacionais, que representam investimentos de R$ 63,5 milhões, recursos do programa Minha Casa Minha Vida.

De acordo com o engenheiro Miguel Murad, proprietário da construtora responsável pela obra, a presença feminina no canteiro carrega suas vantagens. “Elas são mais organizadas e detalhistas que os homens, portanto os serviços de acabamento, como pintura de portas e colocação de azulejos, são melhor desenvolvidos pelas mulheres”, diz Murad.

Apesar de se destacarem nas funções de acabamento, as mulheres também realizam outras atividades na construção civil. “No início elas faziam somente os trabalhos de limpeza, mas hoje fazem concreto, telhados, chapisco, reboco e tenho até mulher que chefia equipe com homens”, conta o engenheiro.

Futura meste-de-obras

Angela Maria Genowski, 35 anos, ingressou na obra do Parque Iguaçu em 2011, inicialmente para trabalhar na limpeza do canteiro. O interesse em atuar no setor vem de família – o pai e três irmãos são profissionais da área, além do marido que é mestre-de-obras e grande incentivador dela. “A vida toda eu fui empregada doméstica, mas a vontade era mexer com obra. Até que meu marido ficou sabendo desta oportunidade e me incentivou a tentar”, conta ela.

Meses mais tarde, a construtora estava procurando uma figura de liderança feminina. “Como havia muitas mulheres no canteiro, estavam ocorrendo problemas em elas serem comandadas por homens. Elas acabavam ofendidas devido ao linguajar as vezes rude, que praticam os homens nas obras. Então eu precisava de uma interlocutora feminina para liderar as mulheres da equipe”, relembra Murad.

Como Angela estava se destacando desde a sua chegada, naturalmente ela foi a escolhida. “Logo no início notamos que ela era diferenciada, sempre atenta às necessidades de materiais, centrada para realizar os pedidos e fazer negociações e tinha o principal, a capacidade de liderança”, explica o engenheiro.

Hoje ela é contra-mestre e ajuda a chefiar uma equipe composta por 60 homens e 40 mulheres que trabalham na construção de casas e sobrados do residencial Parque Iguaçu III. Satisfeita na nova profissão, ela já planeja seu crescimento. “Quero fazer um curso de compreensão de projetos, porque quero me tornar mestre-de-obras. Realmente me encontrei nessa profissão”, ressalta.

Esposa e mãe
Depois do expediente, o trabalho continua em casa, próximo ao canteiro, no próprio Ganchinho. Angela tem um casal de filhos, uma moça com 20 anos e um rapaz de 15. “A noite faço normalmente as tarefas domésticas, mas o bom é que o marido também ajuda”, conta.

O filho mais novo não aprova a profissão da mãe, por considerar trabalho de homem. “Eu explico para ele que isto é preconceito, que nós temos que trabalhar com o que gostamos e nos damos bem. Digo que não existe serviço de homem e serviço de mulher. Com competência e dedicação não importa o sexo. Temos que seguir nossa opinião, sem se importar com o que os outros vão dizer”, encerra.

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