Publicado em 3/20/2013 10:42:02 AM

Coletores de material reciclável atendidos pela Cohab vão ganhar barracões do EcoCidadão

Após terem sido reassentados de áreas de risco, trabalhadores da reciclagem não vão mais precisar levar material para casa

Cinco barracões do projeto EcoCidadão estão em obras para  beneficiar coletores de material reciclável incluídos nos projetos de reassentamento da Companhia de Habitação Popular  de Curitiba (Cohab). Os equipamentos estão em construção no Moradias Jandaia, no Ganchinho; Moradias Corbélia, no São Miguel; Moradias Pantanal, no Alto Boqueirão; Moradias Itaqui e Moradias Terra Santa, ambos no Tatuquara.

Os barracões estão sendo construídos através de um convênio da Prefeitura com o BNDES e significam investimentos de R$ 5,49 milhões. Além dos equipamentos citados, outro barracão também está em obras na Vila Osternack, no Sítio Cercado. Atualmente 15 parques de reciclagem do EcoCidadão estão em funcionamento na cidade, nos quais atuam 380 coletores de material reciclável.

Cada um dos seis novos equipamentos vai comportar 40 trabalhadores, elevando para 620 o número de participantes do projeto.  Os barracões são equipados com prensa, balança, empilhadeira e bancadas de separação de materiais. “ O objetivo é oferecer às famílias a possibilidade de trabalhar com segurança, viver em melhores condições de higiene, e principalmente aumentar os seus ganhos”, afirma o presidente da Cohab, Ubiraci Rodrigues.

De acordo com a coordenadora do projeto EcoCidadão, Leila Maria Zem, antes da conclusão dos barracões, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente, em conjunto com técnicos da Cohab, vai mobilizar as lideranças locais com intuito de convidar os coletores a participarem do projeto. “Cerca de um mês antes de terminar cada obra, nós vamos percorrer as áreas para explicar os benefícios em aderir ao projeto”, explica Leila.

Vantagens

Levar para a casa o material coletado nas ruas causa muitos transtornos para as pessoas que trabalham com reciclagem. O acúmulo atrai ratos, baratas e outros insetos, que podem causar doenças como a leptospirose. As famílias têm dificuldade em manter boas condições de higiene ao trabalhar com reciclagem no mesmo local onde moram.

Os parques de reciclagem possibilitam que os coletores tenham equipamentos específicos para a função, como prensa, balança, empilhadeira e bancada para separação dos materiais. Desta forma, os trabalhadores podem manter suas casas mais organizadas, fato que melhora a relação com a vizinhança e eleva a autoestima dos cidadãos.

Outra importante vantagem é o ganho financeiro. Ao trabalhar de maneira independente, armazenando e separando os materiais em casa, no momento de vender o coletor sai perdendo, pois negocia por um valor baixo com os atravessadores, que acabam ficando com a maior parte do lucro ao negociar com as indústrias de reciclagem.

Nas cooperativas do projeto EcoCidadão, os coletores saem ganhando. Graças a maior quantidade e eficiência na separação dos materiais e principalmente pela negociação feita diretamente com os compradores, os produtos são valorizados, aumentando os rendimentos em até 40%.

Orientações
Enquanto os barracões não ficam prontos, técnicos ambientais vinculados aos projetos da Cohab orientam os coletores para garantir a eles melhores condições de trabalho em casa.  “Realizamos reuniões periódicas e damos palestras sobre assuntos como a transmissão de doenças e os riscos em não manter a higiene.  Também fazemos visitas domiciliares para levar orientação sobre a correta maneira de se trabalhar”, afirma a técnica ambiental Hedilayne Dias, que atua no Moradias Jandaia.

Entre as recomendações está a importância de não acumular muito material em casa. “Eles devem vender pelo menos uma vez por semana, pois é o acúmulo de materiais que causa os problemas de desorganização e proliferação de ratos e insetos”, diz Hedilayne.

Ao trabalharem em casa os coletores são orientados a utilizar os equipamentos de segurança, principalmente luvas. Os materiais guardados devem estar suspensos do chão e bem embalados, para facilita a limpeza e impedir que o chorume entre em contato direto com o solo.

No aguardo
O casal Maria Castorina, 59, e Amílton Camargo, 58, foram reassentados no Moradias Jandaia em 2010, após sofrer por 10 anos com os alagamentos frequentes que ocorriam na Vila 23 de Agosto. Na casa nova eles separam o material reciclável que coletam, de maneira organizada, conforme as orientações recebidas.

Eles tem um acordo com os síndicos de dois condomínios próximos e todos os dias buscam o material reciclável descartado pelos moradores. “A gente busca e separa todos os dias, mas não deixa acumular. Uma vez por semana a gente vende. Você pode ver que o quintal não é bagunçado”, diz Castorina.

Com relação ao barracão que deve ficar pronto até o final de junho, o casal demonstra interesse em participar. “Eu quero saber bem certinho como funciona, mas parece muito bom. Poder trabalhar em outro lugar que não nossa casa é ótimo. E ter um ganho maior é melhor ainda”, destaca ele.

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