Publicado em 4/1/2013 6:04:36 PM

Cohab oferece moradia para população em situação de rua de rua

Atendimento depende de parecer da FAS garantindo que o cidadão tem condições de gerenciar a própria vida

Em Curitiba, moradores que vivem em situação de rua têm a possibilidade de realizar o sonho da casa própria, já que a política municipal de habitação garante atendimento para esta parcela da população. Os moradores de rua podem se inscrever na fila da Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab), desde que a Fundação de Ação Social (FAS) emita um parecer garantindo que o cidadão reúne condições de administrar uma casa e gerenciar a própria vida.

Já são 49 os moradores de rua inscritos na fila da Cohab. Este número poderia ser ainda maior, pois 21 pessoas tiveram a inscrição cancelada por falta de renovação. “Assim como qualquer pessoa que se inscreve na Cohab, os moradores de rua também precisam renovar anualmente a inscrição, senão ela é excluída do cadastro”, explica  o presidente da Cohab, Ubiraci Rodrigues.

Eles participam dos sorteios de unidades do programa Minha Casa Minha Vida, juntamente com as famílias vulneráveis, que são aquelas que vivem em residências precárias. Uma cota de 3% das moradias de todos os empreendimentos é reservada para esta categoria da população que engloba famílias vulneráveis e moradores de rua. O sistema de sorteio é uma exigência do programa federal para a faixa 1 (famílias com renda até R$ 1,6 mil).

Final feliz
Entre os moradores de rua inscritos, quatro já foram sorteados para adquirir moradia. Sandro Marcos de Oliveira foi o primeiro a ser beneficiado. Após viver por sete anos nas ruas como usuário de drogas, ele conheceu a FAS, se recuperou e hoje vive com a família no Residencial Vila Mariana, no Tatuquara. “Na FAS minha vida mudou, fiz curso de pintura e aprendi uma profissão para poder sustentar o lar”, conta.

Outra contemplada é Lourdes Veiga dos Santos, que teve a documentação aprovada e até já escolheu o seu apartamento no Residencial Parque Iguaçu I, para onde deve se mudar em breve. “Preferi no primeiro andar para não ter que subir escadas”, conta ela, que viveu por quase duas décadas nas ruas e já estava há dez anos na Unidade de Acolhimento Mais Viver, coordenada pela FAS.

Os outros dois moradores de rua sorteados ainda estão com a documentação em análise na Caixa Econômica. Um deles pretende morar no Residencial Imbuia II, no Santa Cândida e o outro no Residencial Parque Iguaçu, no Ganchinho.

Parecer da FAS
Até o momento da entrega das chaves do imóvel existe um longo percurso, que exige principalmente força de vontade por parte do morador de rua. Além de demonstrar interesse em deixar as ruas, ele precisa passar por um período de adaptações com objetivo de largar possíveis vícios e se tornar capaz de levar um novo estilo de vida.

O início do processo se dá pelo Resgate Social, quando a FAS recolhe os moradores de rua e os abriga em sua sede, onde oferece higiene, alimentação, albergagem e atendimento de saúde. Nestas situações são realizadas as chamadas investigações sociais, que consistem em cadastros e entrevistas para coletar a maior quantidade possível de dados a respeito do cidadão.

“Depois de cadastrados, muitos moradores de rua se tornam frequentadores quase diários da FAS. Aqueles que demonstram vontade de sair desta condição são incentivados a fazer os documentos pessoais para então poderem efetivar a inscrição na Cohab. Após passarem por cursos de capacitação e mostrarem que são capazes de cuidar da própria vida, a FAS emite o parecer para que eles concorram às moradias”, explica o presidente da Cohab, Ubiraci Rodrigues.

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