Publicado em 4/15/2013 11:36:15 AM

Sem usar tijolos, novo sistema construtivo acelera obras de habitação

Método também reduz o desperdício de material e facilita manutenção da moradia

A construção de 1.136 apartamentos no Campo de Santana está utilizando um novo sistema construtivo que não emprega tijolos na sua concepção. O método de paredes em concreto já foi usado na construção do Residencial Cidade de Pávia, conjunto de 256 unidades entregue em março, e agora está sendo utilizado nas obras dos residenciais Cidade de Broni, com 512 unidades, Cidade de Pádova, com 416 e Cidade de Novara, 208. Duas construtoras estão empregando o sistema em Curitiba.

As obras com paredes em concreto apresentam vantagens em relação aos métodos convencionais, em especial a maior velocidade na execução e a redução no desperdício de materiais. “A capacidade produtiva neste sistema é de quatro blocos por mês, ou seja, 64 apartamentos erguidos, sem contar o acabamento. O sistema tradicional não chega à metade deste número”, explica Cezar Augusto Mores, engenheiro de uma das construtoras responsáveis pelas obras.

Além da velocidade de produção ser até 50% maior do que nos sistemas tradicionais, há também o ganho de qualidade. “As unidades tem um ótimo conforto térmico e acústico e a manutenção da moradia se torna mais fácil, pois não é necessário quebrar paredes para mexer nos encanamentos e fiações” diz Mores.

O novo método acaba perdendo um pouco da velocidade na colocação de cerâmica e na pintura. “Nesta parte de acabamento nós voltamos para as práticas convencionais, mas já estamos desenvolvendo técnicas para aprimorar o processo e dar ainda mais agilidade para a finalização da obra”, ressalta o engenheiro.

O canteiro de obras conta com 170 operários trabalhando na construção dos 624 apartamentos. Segundo Mores, no sistema tradicional, para realizar a obra no mesmo prazo seriam necessários pelo menos 700 homens.

Menos resíduos

O sistema de construção com paredes de concreto começa como as demais obras, pela fundação. A redução do desperdício já é percebida nesta etapa, que é feita com formas pré-moldadas. Três jogos de forma vão permitir a execução das fundações dos 55 blocos de apartamentos. São as mesmas formas utilizadas para levantar as paredes.

O sistema convencional utiliza madeira para fazer as formas. “Toda esta madeira acaba virando resíduo, assim como os restos de tijolos e blocos de concreto. Nosso sistema só utiliza madeira na cobertura, que é pré-moldada antes da instalação. O novo método apresenta perda de madeira cinco vezes menor do que nas obras comuns”, garante Mores.

A principal vantagem é o maior controle do consumo de materiais, que gera menos resíduos no canteiro de obras. “Temos um canteiro limpo, sem acúmulo de caliça, nem de restos de madeira. O sistema com parede em concreto tem desperdício de cinco a seis vezes menor do que o sistema convencional”, afirma o engenheiro.

Sistema

Após a execução da fundação, uma armação de aço é montada no formato do apartamento, onde já é instalada primeiramente toda a tubulação para a fiação elétrica. Quando a unidade ainda é apenas um esqueleto metálico são implantadas as redes elétrica e hidráulica.  Ao invés de quebrar o que já foi construído, o que gera desperdício e retrabalho, as redes são instaladas antes de se construírem as paredes.

Em volta da armação metálica são montadas as formas para a execução das paredes. Dentro das formas é injetado um concreto especial, chamado auto adensável. “É uma tecnologia que adiciona ao concreto substâncias superplastificantes, que alteram a sua característica. Desta maneira ele penetra nas formas e se molda de acordo com o formato determinado”, explica Mores.

O custo final da obra ainda é um pouco maior do que no sistema convencional, principalmente por dois motivos. Por se tratar de uma nova tecnologia existem menos fornecedores dos materiais. Além disso, o método necessita de mão de obra especializada, que requer um treinamento específico.

Para o morador existe a vantagem na manutenção e na fixação de parafusos na parede. “É possível furar com brocas normais, as mesmas usadas em paredes de tijolos, porém não há o risco de furar nenhum encanamento. Com relação à manutenção, dentro do banheiro existe uma porta removível que dá acesso à toda a tubulação do apartamento”, finaliza o engenheiro.

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