Publicado em 7/24/2013 2:03:02 PM

No Ganchinho, 1.411 moradias ocupam o lugar de 7 alqueires de soja

A mais nova área de expansão da cidade está mudando seu perfil

Uma grande transformação em um pequeno espaço de tempo. Isso está ocorrendo no bairro do Ganchinho, onde há quatro anos havia um vazio urbano, localizado entre as ruas Alexandro Glenski e Antonio José Bonato. Hoje, a área de 168 mil metros quadrados, equivalentes a sete alqueires, dá lugar a 48 blocos com 768 apartamentos e mais 643 casas e sobrados.

As 1.411 unidades fazem parte do programa habitacional do município e foram construídas com recursos do programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal. Elas estão distribuídas em três empreendimentos, os Residenciais Parque Iguaçu I, II e III, que começam a ser entregues a partir do mês de agosto.

Quem vê os Residenciais prontos para serem ocupados pelos seus moradores não imagina que ali, no mesmo local, havia, entre 2005 e início de 2010, uma plantação de soja. O responsável pelo plantio era Edevandro Caetano Momoli, que arrendava o terreno de seu antigo proprietário. A lavoura, em área plana e seca, chegou a render o equivalente 75 sacas por hectare, que é considerada uma produtividade acima da média.

Quando a obra dos Residenciais foi iniciada, em janeiro de 2010, a plantação sumiu e, agora, quando passa por ali, Edevandro diz que sente saudade do verde da soja. “Agora está tudo modificado. Virou quase uma cidade. Não imaginava que cabia tanta gente nesta área”, conta ele.

Raízes – A ligação de Edevandro com a agricultura tem suas raízes no interior do estado, na cidade de Chopinzinho, onde ele viveu até os 16 anos. Adulto, já em Curitiba, ele entrou na Polícia Militar e, em 2002, decidiu complementar sua renda com a agricultura, arrendando terrenos na periferia da cidade para plantio. Hoje, ele ainda mantém plantações em quatro áreas, nos bairros do Campo de Santana, onde mora, e no Umbará.

No total, são 40 alqueires, onde a agricultura ainda resiste em meio à cidade que se espalha cada vez em direção aos seus limites com a Região Metropolitana. “Não sei por quanto tempo mais conseguirei manter essas lavouras”, diz ele. Por isso, Edevandro está procurando terras em municípios vizinhos para exercitar seu gosto pela agricultura.

Mas, mesmo com outros afazeres, ele ainda não cortou seu vínculo com a região do Ganchinho. Proprietário de uma empresa de segurança administrada pela esposa, ele foi contratado pela construtora responsável pela obra dos Residenciais Parque Iguaçu I, II e III, para cuidar da vigilância dos canteiros. Ele deve ficar lá até a entrega dos apartamentos, casas e sobrados aos seus proprietários – famílias inscritas no cadastro da Companhia de Habitação Popular de Curitiba (mais conhecido como “fila da Cohab”) e moradores de áreas de risco inseridos em projetos de urbanização e reassentamento.

Nesta função, Edevandro acompanhou o desenvolvimento das obras dos Residenciais, passo a passo. No começo, ele confessa, com uma certa tristeza, principalmente quando viu a passagem dos tratores fazendo a terraplenagem da área. Depois, foi se acostumando com a paisagem sendo modificada a cada dia com o surgimento das ruas, dos blocos de apartamentos e das casas. Agora, aguarda a chegada dos moradores para dar vida a este novo cantinho da cidade que não para de crescer.

Novos Residenciais do Ganchinho são continuidade do Bairro Novo

Os novos empreendimentos habitacionais do Ganchinho estão localizados na divisa com o Sítio Cercado, entre a rua Eduardo Pinto da Rocha – que marca o limite entre os dois bairros – e o Contorno Leste. Na prática, as novas moradias são uma extensão do Bairro Novo, um loteamento do programa habitacional do município que começou a ser implantado na década de 90 e que abriga hoje mais de 13 mil famílias.

As 1,4 mil unidades estão inseridas numa área que, no zoneamento da cidade, está classificada como Setor Especial de Habitação de Interesse Social (SEHIS), num compartimento do bairro que já tem um perfil urbano e está consolidado como local de moradia.

Já no outro lado do Contorno Leste, o Ganchinho tem uma característica diferenciada que não será alterada após a chegada dos novos empreendimentos. O Contorno, que liga as BRs 376 e 277, funciona como uma barreira física que separa os dois lados do bairro. Depois da rodovia, na região onde ainda resistem antigas chácaras, estava, no passado, a Zona Agrícola do município.

Hoje, a legislação de uso do solo naquele segmento do Ganchinho (antiga ZA) prevê um uso mais restrito, ao classificar aquela área com três designações distintas: Zona Residencial de Ocupação Controlada (ZROC), Zona de Serviços (ZS) e APA (Área de Preservação Ambiental) do Iguaçu. 
 

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