Publicado em 11/6/2013 5:07:25 PM

Após viver debaixo de lonas, casal do Sítio Cercado dá a volta por cima e serve de exemplo

Antônio e Benedita, da Vila Cristo Rei, acreditaram no projeto da Cohab e hoje moram em uma ampla e regularizada casa de alvenaria.

Quem vê a situação atual do casal Antônio do Carmo e Benedita Eusébio do Carmo, em sua espaçosa casa de alvenaria no Sítio Cercado, não imagina a dura história de vida que eles enfrentaram para chegar até aqui. Atendidos pelo plano de regularização fundiária da Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab), eles passaram de ocupantes irregulares que viviam sob uma lona, para se tornarem proprietários de um lote escriturado onde ergueram a casa que vivem hoje.

Casados há 44 anos, no início da década de 80 eles vieram de Japira (norte do Paraná) tentar uma vida melhor na capital. Em uma casa alugada no Jardim Paranaense viveram até 1990, mas a chegada do segundo filho elevou as despesas e o casal não vencia mais pagar o aluguel. Antônio, conhecido por Toninho, tem 66 anos e sempre foi coletor de materiais recicláveis. Benedita, a Tita, tem 63 e na época trabalhava como diarista. “No tempo em que diarista ganhava pouco”, observa ela.

Em meio à dificuldade financeira, Tita ficou sabendo de uma nova ocupação que estava sendo formada no Sítio Cercado, a chamada Vila Cristo Rei. Sem enxergar outra alternativa ela mesma montou sua barraca de lona e sacos plásticos e ali a família passou a viver. “Naquele tempo quem invadia terreno era só porque não tinha mesmo onde morar. Hoje infelizmente tem pessoas com condições que invadem porque querem tirar vantagem financeira”, destaca ela.

Aos poucos as coisas foram melhorando e já no ano seguinte o casal construiu uma casa de madeira no terreno. “A época em que vivemos debaixo de lonas foi a mais difícil de nossas vidas, mas nunca pensamos em desistir. Sempre acreditei que o esforço do dia a dia ia ser recompensado. Conseguimos erguer a casa de madeira e seguimos levando a vida”, relembra.

Regularização
Assim como o casal, outras 390 famílias viviam no local, próximo ao terminal de ônibus do Sítio Cercado, em uma área particular. Para a Cohab regularizar a área, além de negociar com o proprietário do terreno, como as casas eram precárias e muito próximas umas das outras, era necessário reassentar em outro local parte das famílias. Em 2007, técnicos da companhia foram à Vila Cristo Rei para dar início à intervenção.

Com objetivo de desadensar a vila, 152 famílias foram transferidas para um novo empreendimento – o Moradias Monteiro Lobato, construído no bairro Tatuquara. Às 239 que permaneceram no local, a Cohab ofereceu o plano de regularização fundiária, após uma longa negociação com o proprietário do terreno que acabou aceitando repassar a área para o município.

Na época, Antônio e Benedita decidiram acreditar no projeto e começaram a pagar as parcelas para aquisição do lote. “Muita gente duvidou que daria resultado, mas nós confiamos. Somos pessoas de bem e achamos justo pagar para ter o nosso terreno regularizado com escritura”, conta Antônio.

E cinco anos mais tarde, em 2012, eles terminaram de pagar e se tornaram efetivamente os donos do lote onde vivem. Mas isso não era o bastante para a felicidade do casal estar completa. Com os dois filhos já criados e casados, eles queriam construir uma casa de alvenaria, pois a antiga moradia de madeira estava apresentando diversos problemas. “A casa estava caindo, até buraco no assoalho já tinha. Pedi muito a Deus que nos desse condições de construir uma casa nova. Cheguei a quase perder a esperança, mas continuei firme e sempre com o apoio do Toninho”, conta ela.

Em junho desse ano eles começaram a obra, com ajuda de pedreiros amigos, que cobraram um valor baixo para o casal poder pagar. “Deu tudo certo, o dinheiro que eu economizei durante anos foi suficiente pra comprar os materiais e pagar a mão-de-obra. Eu também pus a mão na massa e em 23 dias a casa estava de pé”, diz Antônio.

Ainda faltam alguns acabamentos, como o piso e azulejo na cozinha, mas isto é detalhe perto da satisfação de morar debaixo de um teto seguro construído com o suor de muito trabalho. Todas as manhãs Toninho sai com seu carrinho pelas ruas da região e chega a trazer para casa 150 kg de materiais recicláveis ao final do dia. Tita dedica seu tempo a cuidar do lar, sempre impecavelmente limpo.

“Agora aos poucos nós vamos arrumando a casa. Tem dias que nem acredito que conseguimos, parece um sonho. Agradeço à Prefeitura e principalmente a Deus. Sempre digo a todo mundo: quem quer muito alguma coisa, basta lutar com todas as forças que um dia vai conseguir”, finaliza ela.
 

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