Publicado em 5/7/2014 6:27:44 PM

Cohab aplica pesquisa de satisfação em comunidade reassentada

Objetivo é detalhar o que melhorou na vida das famílias e o que pode ser redirecionado em projetos futuros

Técnicos da Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab) estão aplicando uma pesquisa para medir o nível de satisfação das famílias que foram atendidas em projetos de reassentamentos de moradores que viviam em áreas de risco social. Nesta quarta-feira (07), o questionário foi realizado no Moradias Jandaia, empreendimento com 405 unidades habitacionais, contruído no bairro Ganchinho para abrigar famílias que foram retiradas das vilas Osternack, Campo Cerrado, 23 de Agosto, Ulisses Guimarães e Vila Nova.

A pesquisa de satisfação é uma exigência da Caixa Econômica, que é o agente financiador da maior parte dos projetos de reassentamento e urbanização de favelas em andamento na cidade. Em cada projeto, depois de concluída a transferência de todas as famílias, o serviço social da Cohab continua atuando na área por seis meses, com o trabalho de pós-ocupação. A última ação desta etapa é a pesquisa de satisfação do morador.

A ação segue uma normativa do Ministério das Cidades e foi pensada em três eixos: moradia e inserção urbana, que trata das questões de infraestrutura e qualidade da habitação; inclusão social, que busca verificar o acesso aos serviços públicos para as famílias reassentadas; e satisfação das famílias, que tem por intuito ouvir a opinião dos próprios moradores.

“Esta pesquisa é fundamental para sabermos o verdadeiro impacto de nossa atuação na vida das famílias atendidas. A melhor maneira de avaliarmos o sucesso de um projeto é ouvirmos o retorno dos próprios beneficiados. Desta forma podemos repetir o que vem dando certo e adaptar as ações que não chegam ao resultado esperado”, afirma o presidente da Cohab, Ubiraci Rodrigues.

Relatório final
A normativa prevê que a pesquisa deve ser aplicada em projetos que atendem mais de 200 famílias, ouvindo a opinião de no mínimo 20% dos moradores. No Moradias Jandaia serão aplicados 81 questionários, dos quais 60 já foram efetuados. Após a conclusão das entrevistas, os dados coletados serão organizados em um relatório final, que vai destacar os aspectos positivos e negativos da intervenção.

A ideia é comparar a situação atual em que se encontra a família com a realidade que viviam antes do início do projeto. São abordadas questões referentes à qualidade da moradia, rede elétrica, iluminação pública, pavimentação de vias, rede de esgoto, coleta de lixo, acesso à creche e escola, atendimento de saúde, segurança, transporte público, áreas de lazer e  acesso a programas sociais. A pesquisa questiona também se os relacionamentos familiares e entre vizinhos melhoraram após o reassentamento.

“Sem comparação
A pensionista Diva Alves Rodrigues, 68 anos, está vivendo no Moradias Jandaia desde 2010, após ser retirada da  Vila 23 de Agosto, onde morou por dois anos na beira do rio. Ela vive sozinha em sua casa e se considera uma pessoa mais feliz depois de ter recebido o atendimento. “É sem comparação. A minha vida melhorou muito depois que mudei para cá. Não tenho mais medo de chuva, passo os dias tranquila, cuido da minha horta. Está tudo ótimo, não tenho do que reclamar”, ressaltou.

Ela contou que paga tarifa social tanto de água como de luz. Separa o lixo reciclável e elogiou a coleta da prefeitura. Com relação à unidade de saúde ela aprova o atendimento. Usuária do transporte público, destaca a melhora neste aspecto. “Quando eu morava na vila o acesso era mais difícil, agora tem mais linhas de ônibus que passam perto de casa. A verdade é que não tem nada que fosse melhor antes. Aqui na casa nova a vida melhorou em todos os sentidos”, afirma.

A dona de casa Kátia dos Santos, 23 anos, mora no Jandaia somente com o marido, após deixar a casa, onde também vivia com a mãe. Ela compartilha da mesma opinião de que a vida melhorou em tudo. “Nossa comunidade é bem atendida de escolas, de ônibus, de postinho de saúde. O que mais me deixa feliz é a aparência da casa. Antes dava vergonha, agora não, hoje eu tenho orgulho”, diz.

O relacionamento com o marido também melhorou após o reassentamento, assim como a renda familiar. “Lá na vila a gente brigava mais. Talvez porque aqui a casa é melhor  e estamos mais felizes, as brigas pararam. Meu marido, que é soldador, está num emprego melhor e estamos ampliando a casa, fazendo uma edícula na parte de trás e mais um quarto”, conta.

“Os projetos de reassentamento não se resumem a retirar moradores de áreas de risco e realocá-los em novas moradias. Além da intervenção física, com as obras realizadas, há a parte ambiental e também o trabalho social, que pretende inserir estas famílias na cidade, além de impulsionar o seu crescimento econômico e cultural. Esta pesquisa é importantíssima para apararmos algumas arestas, sempre procurando evoluir no atendimento à população que mais necessita”, conclui o presidente da Cohab.

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