Publicado em 5/12/2014 10:23:19 AM

Vila Nossa Senhora da Luz marca o início da história da Cohab

O mais antigo conjunto habitacional implantado pela Cohab hoje está totalmente integrado à cidade

Com um desenho peculiar, a Vila Nossa Senhora da Luz foi o primeiro conjunto habitacional entregue pela Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab), após sua criação em maio em 1965.

Foi construído em uma área de 800 mil metros quadrados lá onde a cidade, na época, acabava. Na região, havia a previsão de instalação de indústrias, mas a Cidade Industrial chegou ali depois que as famílias já estavam morando no local.

O empreendimento, conforme lembra o arquiteto Alfred Willer, primeiro diretor técnico da Cohab, foi desenvolvido em tempo recorde: pouco mais de um ano de obra para concluir 2.100 casas.

Os recursos que deram agilidade ao processo de construção vieram do BNH (para 1.700 casas) e do Usaid (400 unidades), uma linha de financiamento de uma agência de cooperação norte americana que atuava nos países ditos de Terceiro Mundo.

O próprio Willer foi um dos autores do projeto do conjunto, que leva também a assinatura de mais três arquitetos: Roberto Gandolfi, Cyro Correa Lyra e Lubomir Ficinski.

Willer lembra que a concepção da Vila levou em conta princípios definidos na Carta de Atenas, uma espécie de bíblia do urbanismo praticado naquele tempo. Uma das premissas que embasaram o projeto foi o das “unidades de vizinhança”.

Isso explica o fato de a Vila Nossa Senhora da Luz ter em seu interior 12 praças e, no meio de tudo, uma praça central. São pequenos núcleos, dentro de um conjunto maior.

O desenho das casas levou em conta elementos da cultura dos imigrantes presentes na história do Paraná, utilizando madeira e tijolos. Um dos modelos de casa era uma cópia estilizada das casas polonesas, com um sótão e escadaria em madeira.

A volta – Algumas destas casas ainda estão presentes na Vila Nossa Senhora da Luz. O aposentado Getúlio Bueno dos Santos reformou o imóvel, mas fez questão de conservar as suas características originais, mantendo o sótão. Ele chegou na Vila com 12 anos, com a mãe e uma irmã, casou, foi morar em outros bairros da cidade, mas acabou voltando para o lugar onde cresceu.

A mãe, hoje com 98 anos, ainda mora na mesma casa que abrigou a família em 1967. Santos comprou de terceiros outra unidade e retornou à Vila há 16 anos, convencido que ali é o seu lugar. “Conheço todo mundo, há uma boa convivência entre vizinhos e, por isso, a vida aqui é muito tranquila e prazerosa”, resume.

Antonio de Moraes Freire, marceneiro aposentado, está há 46 anos na Vila, onde criou seus quatro filhos. Ele é dono de um bar onde os moradores antigos como Santos se encontram às vezes para relembrar histórias dos primeiros anos do conjunto.

Naquela época, ônibus para o centro da cidade, só tinha duas vezes por dia. Havia também o trem, opção de transporte preferida por muitos, porque ninguém pagava passagem. Explicando melhor: como não havia estação na Vila, eles embarcavam no vagão em movimento. “O maquinista conhecia a gente e sempre diminuía a velocidade, para que pudéssemos subir”, conta Freire.

Pedro Ivo Marochi, dono de restaurante numa das praças da Vila, também é morador antigo. Chegou em 1967 e lembra outras dificuldades enfrentadas ali, como a falta de água ou de luz, que ocorria com frequência. Hoje, a condição dos moradores é outra.

A maior parte das casas está ampliada, há um terminal de ônibus ao lado, além de linhas que percorrem o interior do conjunto. O comércio é diversificado e há oferta de serviços e equipamentos públicos. “Isso aqui agora é uma cidade”, diz Marochi.

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