Publicado em 7/24/2014 5:05:39 PM

Das marquises da Rua das Flores para a casa própria no Santa Cândida

A história de Anderson mostra como a integração de políticas públicas pode contribuir para transformar a vida de quem vive em risco social

Ao se mudar para o Residencial Imbuia II, no Santa Cândida, há duas semanas, o atendente de farmácia Anderson Francisco Antunes fechou um ciclo e, aos 37 anos, iniciou uma nova etapa de sua vida. A conquista da casa própria deixou definitivamente para trás o que ele chama de “período de turbulência” e marca uma fase que ele espera seja de crescimento e tranquilidade, ao lado da esposa, Ana, e da filhinha de um ano e um mês.

Anderson foi atendido pelo programa habitacional do município com uma unidade do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), na cota destinada a pessoas em situação de vulnerabilidade social (que tem direito a 3% dos imóveis). O atendimento pela Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab) teve o apoio da Fundação de Ação Social (FAS), que o encaminhou  para inscrição na fila da casa própria e fez o acompanhamento do seu caso até a entrega das chaves.

Anderson fazia parte de um segmento reduzido da fila da Cohab, o dos moradores de rua, que representam apenas 0,07% do cadastro de inscritos. São pessoas assistidas pela rede de proteção social do município em processo de reestruturação, que estão reconstruindo suas vidas e precisam de um imóvel para consolidar esta mudança.

O encaminhamento para inscrição na fila é feito pela equipe técnica da FAS que acompanha a população em situação de rua. Existem 48 pessoas enquadradas nesta condição entre os cerca de 72 mil candidatos de Curitiba inscritos na Cohab.

O atendimento na cota de vulnerabilidade social é definido mediante sorteio (conforme está previsto na regulamentação federal para o funcionamento do programa Minha Casa, Minha Vida para famílias com renda de até R$ 1.600 mensais). Até agora, cinco ex-moradores de rua foram atendidos pelo programa habitacional.

“Esta parceria Cohab – FAS é um exemplo de como as políticas públicas do município atuando de forma integrada contribuem para transformar a vida das pessoas”, diz o presidente da Cohab, Ubiraci Rodrigues.

História – Antes de se inscrever na Cohab, Anderson havia passado quatro anos morando na rua. À noite, ele procurava abrigo sob as marquises dos edifícios do calçadão da Rua das Flores e ocasionalmente ficava no Centro de Resgate Social da FAS na rua Conselheiro Laurindo. Foi lá que, com ajuda das técnicas sociais, acabou encontrando o caminho de volta para uma vida normal.

A história de Anderson repete um roteiro mais ou menos comum. Ele saiu de casa no final da adolescência, após a morte da mãe e o segundo casamento do paí. Morou em várias pensões no centro da cidade, mas, longe da família, a saída que encontrou foram as drogas. “Jamais deixei de trabalhar, mas não parava em emprego algum. Assim, fui perdendo tudo e a partir daí, para as ruas, foi só um passo”, relembra.

Com o apoio da FAS, ele voltou a trabalhar e a morar em pensão. Depois, conheceu a esposa, que deu o impulso que faltava para mudar definitivamente de vida. “Ela acreditou em mim e me deu força para continuar”, conta.

Em 2012, ele foi sorteado para receber um dos apartamentos do Residencial Imbuia. No ano passado, enquanto aguardava o imóvel ficar pronto, nasceu sua filha e, aí, ele se sentiu ainda mais fortalecido.

Nos últimos meses, antes da mudança, a família estava morando em uma casa alugada, de madeira e com muita umidade. “Aqui é o paraíso”, comenta mostrando o apartamento novo, que ainda não deu tempo de mobiliar. “Tenho só o básico, mas aos poucos a gente vai melhorando”, planeja.

No Residencial Imbuia, Anderson vai pagar uma prestação de R$ 40 mensais e mais R$ 150 de taxa de condomínio. O conjunto, com 80 apartamentos, tem salão de festas com churrasqueira, área de recreação e estacionamento. Bem em frente ao portão fica o ponto de ônibus (uma extensão da linha Jardim Aliança) que foi instalado uma semana após a entrega das chaves.

“É uma nova vida”, diz ele. Para trás, ficou o que ele chama de “tempo de turbulência” e uma certeza: “Não tenho a pretensão de me tornar exemplo para ninguém, mas se a minha história servir de motivação para outras pessoas vou me sentir gratificado”.

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