Publicado em 7/28/2014 5:40:59 PM

Tudo novo na casa nova

Exemplo de Síntia Alves dos Santos pode servir de inspiração para famílias que desejam mudar de vida após deixar áreas de risco

A história da zeladora Síntia Alves dos Santos, 31 anos, ganhou um capítulo especial neste mês de julho. Após viver por três anos em condições precárias na vila Bela Vista da Ordem, no Tatuquara, ela recebeu, no início deste mês, as chaves de seu novo apartamento no Residencial Aroeira, no Santa Cândida. Visando estabelecer um marco para representar a virada que deu sua vida, ela tomou uma decisão: para o novo lar não vai levar nada que estava na antiga casa de madeira.

“Vou levar apenas minhas roupas e meus filhos, o restante estou comprando tudo novo. Quero que seja um recomeço e, para virar a página dos dias sofridos que vivemos, vou deixar para trás qualquer coisa que me lembre este período”, explica ela, que é mãe do Ryan, de quatro anos, e também cria o sobrinho Adriano, de 11.
No apartamento novo vão morar os três. Eles ainda não mudaram, porque Síntia está preparando a mudança e fazendo algumas melhorias no imóvel novo. Por enquanto, ela está instalada provisoriamente com as crianças na casa da mãe.

O Residencial Aroeira está sendo destinado pela Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab) para famílias que estão sendo transferidas de ocupações irregulares onde estavam vivendo de maneira insalubre. Desde o dia 15 de julho, uma média de 12 famílias por dia estão chegando ao novo conjunto, onde serão reassentadas ao todo 288 famílias.

Poupança
Para viabilizar o desejo de não levar nada velho, a decisão de Síntia não foi tomada de uma hora para outra. Há três anos, quando foi informada que seria incluída no programa de reassentamento de moradores de áreas de risco, ela começou uma poupança para mobiliar a casa nova. “Guardando um pouquinho por mês consegui juntar R$ 5 mil e o que não for possível comprar com esse valor vou fazer no crediário”, afirma.

Até as panelas velhas ela amassou e vendeu como alumínio. “Não quero levar nada, até roupas de cama estou comprando novas. Se é pra ter vida nova então tem que ser tudo novo. Já comprei geladeira, cama, jogo de cozinha e alguns eletrodomésticos. Estou pesquisando bastante para economizar na hora de fechar negócio. Ainda vou comprar fogão, jogo de quarto, máquina de lavar, televisão e sofá”, conta. Os móveis antigos ela doou para parentes e amigos.

Sofrimento
Os momentos que Síntia faz questão de tentar esquecer ainda estão frescos na memória. O último mês que ela passou na precária moradia de madeira foi o mais difícil, pois a casa destelhou com os fortes ventos e ela precisou improvisar uma cobertura com lona. Quando chovia entrava bastante água. “Eu brincava que a gente não tinha goteiras, e sim cachoeiras dentro de casa. Chegava ao cúmulo de ter que mudar a cama de lugar durante a madrugada, para encontrar um local seco para mim e as crianças”, relembra.

No dia em que recebeu as chaves do novo apartamento, a casa de madeira foi demolida. “Esta prática acontece em todos os projetos de urbanização de favelas. O objetivo das demolições é evitar que outra família venha a ocupar esta moradia precária em beira de rio, dando continuidade ao problema da ocupação de locais impróprios para habitação”, explica o presidente da Cohab, Ubiraci Rodrigues.

Novo lar
Após a demolição da casa antiga, Síntia levou os filhos e as roupas para a casa da sua mãe, também no Santa Cândida. Lá ficarão até terminarem todos os preparativos no apartamento novo. Além de toda a mobília nova, ela também está caprichando nos detalhes. Com a ajuda do padrasto azulejou toda a cozinha e o banheiro. Nos dois quartos e na sala ela mesma pintou as paredes. “Para ficar mais bonito e sair do branco, pintei de azul uma das paredes do quarto dos meninos e de vermelho no meu quarto. Para a sala escolhi um tom entre bege e marrom. Quero deixar tudo com meu toque pessoal”, destaca.

A alegria em melhorar de vida pode ser facilmente notada no semblante de Síntia. Um sorriso leve e sincero permanece o tempo todo em seu rosto. “É o momento mais feliz da minha vida, porque vou poder dar uma moradia digna para meus filhos. Sou muito grata à Cohab, pois de outro jeito sei que não seria possível realizar este sonho”, encerra.

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