Publicado em 9/24/2014 4:06:01 PM

Reassentamento de 220 famílias possibilitou implantação de novo parque

Parque Mané Garrincha foi construído em margens de rio desocupadas pela Cohab

A auxiliar de serviços gerais Ivanilda Lopes de Campos, 40 anos, se reencontrou nesta semana com o local onde viveu incontáveis dificuldades para criar seus seis filhos – a Vila Nova Barigui, na CIC. O cenário atual está totalmente diferente da época em que ali morava. Os precários barracos de madeira onde viviam amontoadas 220 famílias deram lugar a canchas esportivas, parquinhos infantis, academia ao ar livre, pista de skate, bicicletários e áreas de estar.

A implantação do Parque Mané Garrincha, inaugurado pelo prefeito Gustavo Fruet no último domingo (21), tornou-se possível devido à atuação da Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab), que entre 2009 e 2010 efetuou o reassentamento das 220 famílias que habitavam irregularmente o local, nas margens do Rio Barigui. Foram transferidas 150 famílias para o Moradias Aquarela, no bairro Augusta, e 70 para o Moradias Corbélia, no São Miguel – os dois conjuntos na abrangência da regional CIC.

Moradora do Aquarela há quatro anos, Ivanilda conta que está vivendo o período mais tranquilo da vida. “Aqui é a melhor casa que já tive. Agora finalmente os dias são sossegados. Não tenho nenhuma saudade lá da vila onde morei quase 20 anos e criei meus filhos. Nós sofremos demais, foram tantas enchentes que perdi a conta. Quando chovia, na volta do serviço eu tinha que ir pulando os muros dos vizinhos pra conseguir chegar em casa e ver se as crianças estavam bem”, relembra.

Apesar de não ter saudade, Ivanilda estava curiosa para ver em que situação se encontra o local onde morou por duas décadas. “Desde que saímos de lá nem passei por perto, acho que fiquei com trauma. Hoje me sinto pronta para voltar lá e ver como está”, disse. A filha Emanuele, hoje com 10 anos, tinha seis quando a família foi transferida e também se animou em ver a transformação do local.

Recuperação ambiental
Ao chegarem no parque, a surpresa em ver como está o local se misturou à emoção de relembrar o sofrimento que superaram. Voltar lá lhe trouxe à mente uma história que jamais vai esquecer. “Um dia antes da noite de Natal, há uns 10 anos, eu peguei todas as economias da família e fui de bicicleta comprar coisas para a ceia. O dinheiro era pouco, mas consegui comprar um peru, refrigerante e panetone. Na volta quando estava chegando em casa, o pneu bateu em uma pedra grande e acabei capotando a bicicleta. Deitada no chão eu vi a compra toda cair dentro do rio e ir embora. Nunca senti tanta tristeza”, conta.

Apesar da recordação melancólica, mãe e filha ficaram contentes em ver como estão as margens do rio após a recuperação ambiental. “Agora está ótimo, com espaço para a população praticar esportes, descansar, lugar para as crianças brincarem. Antes isso aqui era horrível, com muito lixo jogado no rio, famílias vivendo em condições ruins. Deu gosto de ver o trabalho que a prefeitura fez”, destacou.

A intervenção foi benéfica para os moradores reassentados que passaram a habitar casas de alvenaria em locais seguros e também para as famílias que permaneceram no local porque estavam fora da faixa de preservação ambiental. Caso de Vera Lúcia Rodrigues, 39 anos, mãe dos gêmeos de quatro meses Pedro e Tiago. “Ficou maravilhoso, não tem nem como comparar. Agora temos um lugar para caminhar, passear com os bebês, conversar com os vizinhos. Antes era complicado, porque tinha muita sujeira e mau cheiro. Com os barracos quase empilhados um no outro, não tinha nem como passar por aqui”, diz.

Tanto o Moradias Aquarela como o Moradias Corbélia foram construídos com a  finalidade de abrigar famílias transferidas de áreas de risco. Hoje os dois conjuntos se encontram consolidados, com os moradores já de posse das escrituras que garantem a propriedade dos lotes.

Assim como Ivanilda, muitas famílias ampliaram e fizeram melhorias nas casas que receberam. “Nós construímos mais três peças atrás para caber todo mundo. Aqui nossa vida vai melhorando aos poucos e fico satisfeita em saber que sair da invasão melhorou para nós e também para a cidade, que ganhou um parque novo”, afirma.

Parque
A implantação do parque vai ajudar a combater a ocorrência de enchentes na região. Ao todo são 120 mil metros quadrados ao longo do Rio Barigui. Toda área ganhou iluminação, quatro quilômetros de pista compartilhada para ciclistas e pedestres e recuperação da vegetação às margens do rio. “Transformamos uma área com um antigo histórico de enchentes em ponto de convívio e ocupação social”, disse o prefeito Gustavo Fruet.
 

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