Publicado em 10/14/2014 4:45:38 PM

Cidade de Cali, na Colômbia, procura experiências bem sucedidas de Curitiba

Uma delegação formada por empresários e profissionais da construção civil esteve na Cohab e se interessou pelo mecanismo do solo criado, que financia moradia popular

 

 

Uma delegação formada por profissionais e representantes da indústria da construção civil da Colômbia esteve nesta terça-feira (14) em visita à Companhia de Habitação Popular de Curitiba. Eles são da cidade de Cali, a terceira maior do país, e vieram conhecer algumas experiências curitibanas, com foco nas áreas de habitação, transporte, meio ambiente e planejamento urbano.

Os integrantes da delegação fazem parte da Câmara Colombiana de Construção (Camacol), entidade da sociedade civil que atua em todo o país, com escritórios de representação em 16 regiões. Eles estão em Curitiba desde segunda-feira e devem ficar mais dois dias na cidade. Além da Cohab, também  vão conhecer a Urbs, o Ippuc e a Secretaria do Meio Ambiente. Na Cohab, os colombianos foram recebidos pelo presidente Ubiraci Rodrigues.

De acordo com Alberto Gaviria Garcia, presidente da Junta Diretiva da Camacol Valle, que atua em Cali, “Curitiba é referência de gestão urbana para muitas cidades colombianas. Muitos prefeitos vêm até aqui para conhecer os projetos curitibanos e, depois, implantam em seus municípios experiências similares”.

O exemplo mais conhecido desta influência é o Transmilênio – sistema de transporte coletivo que foi criado à imagem e semelhança do BRT curitibano, mas, segundo Garcia, a cidade de Cali também tem uma réplica, em menor escala, do sistema de Curitiba.

Esgotamento – Na área da habitação, conforme Alexandra Sofia Cañas Mejía, gerente da Camacol Valle, Cali, com uma população de 2,2 milhões de habitantes e um déficit estimado em 120 mil moradias, enfrenta um problema para ampliar a produção habitacional: a pouca disponibilidade de áreas livres, em função do esgotamento do processo de expansão urbana que já alcançou os limites da cidade.

Curitiba, também um município com pouca extensão territorial (são 432 quilômetros quadrados de área, a maior parte já loteada), pode, conforme a delegação colombiana viu na apresentação feita por Rodrigues, contribuir com ideias para reforçar a atuação habitacional em Cali.

Alexandra Mejía destacou o papel exercido pela Cohab como órgão de articulação entre o setor público, o empresariado e os organismos financiadores na viabilização dos projetos. Esta forma de atuação, que está presente na implantação do programa Minha Casa, Minha Vida em Curitiba, segundo a gerente, não ocorre na Colômbia, onde cada setor trabalha de modo segmentado, tornando o processo moroso. “É muito interessante o trabalho que a Cohab executa”, falou.

Já Garcia disse que a experiência de Curitiba na implantação do instrumento do solo criado pode servir de modelo para Cali. Por meio desse mecanismo que existe na legislação curitibana desde a década de 1990, o município pode arrecadar recursos para financiar a moradia popular.

Ele permite que empresas de construção civil possam acrescentar pavimentos ou área construída em seus empreendimentos desde que paguem pelo adicional. O pagamento é calculado em função da área acrescida ao projeto, conforme critérios estalecidos em lei, e reverte para o Fundo Municipal de Habitação de Interesse Social (FNHIS).

Este instrumento, que passou a fazer parte do Estatuto da Cidade, em 2001, com o nome de “outorga onerosa do direito de construir”, poderá, segundo Garcia, ser muito útil para uma cidade como Cali, que não tem mais para onde crescer.

 

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