Publicado em 11/21/2014 5:27:16 PM

Moradores reassentados participam de oficina de economia doméstica

Atividade auxilia na adaptação ao novo estilo de vida, após transferência de área de risco

Moradores que foram retirados de áreas de risco e receberam imóveis do programa habitacional do município participaram de uma oficina de economia doméstica, nesta quinta-feira (20). A atividade aconteceu no Moradias Cerâmica, empreendimento construído no Tatuquara para abrigar 194 famílias que viviam em situação de risco em diferentes ocupações irregulares espalhadas pela cidade.

O objetivo da ação é capacitar as famílias para que aprendam a controlar o orçamento e consigam se adequar a um novo estilo de vida, inseridas na cidade formal. “Quando fazemos o reassentamento de uma comunidade, tudo muda da vida destas pessoas. Vivendo na informalidade em ocupações irregulares, hábitos comuns para a maioria dos cidadãos não faziam parte da rotina delas, como pagar as contas de água e luz”, explica o presidente da Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab), Ubiraci Rodrigues.

A oficina de economia doméstica faz parte do trabalho de pós-ocupação desenvolvido pelo serviço social da Companhia. A entrega do Moradias Cerâmica vai completar dois anos em fevereiro de 2015. Após deixar a condição precária em que viviam em seus locais de origem, as famílias iniciaram uma nova etapa em suas vidas. “Depois da mudança elas desejam comprar novos móveis, eletrodomésticos, reformar a casa, além de precisarem honrar as contas. Isto exige um planejamento financeiro eficiente”, completa Rodrigues.

As técnicas sociais responsáveis pela iniciativa estão realizando os encontros com grupos divididos de acordo com as quadras do conjunto. A oficina desta quinta-feira foi a primeira de uma série de oito que serão realizadas.

Os participantes receberam dicas sobre hábitos simples que ajudam a economizar no momento das compras de supermercado, como o consumo de frutas e verduras da época, por estarem mais baratas, ou então a substituição de itens que estejam com o preço alto. Não ir às compras com fome ou pressa e não levar crianças também ajuda a gastar menos.

Outra orientação diz respeito a periodicidade das compras. Ir ao mercado duas vezes por semana e comprar o necessário é mais econômico do que fazer uma compra grande todo mês, pois desta forma evita-se o consumo de itens supérfluos.

Pequenos gestos do cotidiano colaboram com a redução de gastos, como fechar a torneira ao lavar a louça e escovar os dentes, consertar os vazamentos e não demorar no banho. “Para muita gente as recomendações podem parecer óbvias, mas para estas pessoas é uma nova realidade que estão vivendo, portanto toda orientação é válida”, explica o presidente da Cohab.

Planilha – Para evitar aquela sensação de que o dinheiro sumiu sem saber onde foi utilizado, os participantes da oficina receberam uma calculadora e uma planilha de gastos elaborada em três partes e que deve ser preenchida a cada mês. A primeira parte visa conhecer as despesas mensais essenciais da família. É uma tabela onde a pessoa vai anotar tudo o que foi consumido a cada dia, com objetivo de registrar os gastos em cada mês.

A segunda tabela é para anotar as contas com datas fixas de vencimento, como água e luz ou prestação de compras a prazo. Ali, a família deve registrar as datas e o valor de cada compromisso. A terceira parte da planilha é uma espécie de resumo geral, que divide todas as despesas (fixas, essenciais e extras) por categorias, para auxiliar as famílias na identificação dos itens que mais pesam no orçamento, entre transporte, prestações, vestuário, lazer, alimentação, manutenção do imóvel e outros.

Ao final podem ser comparados os recebimentos com as despesas, para saber se há equilíbrio. O frentista Luiz Cunha de Azevedo, 57 anos, ficou satisfeito com a oficina. “Achei excelente. Vou começar a anotar todos os gastos para fazer um controle mais correto. A dica que mais gostei foi a de fazer compras menores. Nós estamos acostumados a fazer compra do mês e realmente desta forma se gasta muito”, afirma.

Vida nova – A dona de casa Alexandra Francine de Lima, 25 anos, diz que vai colocar em prática os ensinamentos que aprendeu na oficina. “Vou seguir todos os conselhos que deram hoje para controlar o orçamento e poder investir na realização de novos sonhos, como o de comprar um carro”, afirma.

Durante cinco anos ela morou na beira do Ribeirão dos Padilha e sofreu os perigos de enchente na vila Gramados, no Sítio Cercado, com o marido e dois filhos. Já na casa nova a família ganhou a Isabele, hoje com seis meses. “A vida melhorou bastante, não dá nem para comparar. Aqui estamos muito sossegados”, conta.

A costureira Sueli de Fátima, 48 anos, afirma que nunca controlou os gastos de casa.“Nunca fiz isso de anotar os gastos, porque antes a nossa vida era muito incerta. Gostei da ideia e acho que vai ajudar a fazer o dinheiro render mais. Quando a gente sabe no que está gastando fica mais fácil de controlar”, diz.

Segundo ela, até sua saúde melhorou depois que se mudou para o Cerâmica há quase dois anos. Durante mais de uma década ela viveu em beira de rio na Vila Rex, no Xaxim. “Lá a gente convivia com muitos ratos e um cheiro horrível, não gosto nem de lembrar. Aqui está uma maravilha, é um lugar tranquilo e seguro. Esta paz mudou até minha saúde. Lá eu vivia deprimida, com dores no corpo. Aqui me sinto ótima”, ressalta.

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